março 04, 2013

Há ler e ler há ir e não fazer


Há uns dias folheei uma revista feminina enquanto me encontrava na sala de espera da minha dentista. Dei de caras com um artigo que dizia que um estudo (há estudos para tudo, já sabemos) revelou que os livros de autoajuda afinal são perigosos, sobretudo para as pessoas com baixa autoestima. Porque nem sempre as táticas que apontam surtem o efeito desejado quando postas em prática. Ora bem, já aqui falei sobre este tipo de livros. Desconheço se alguns ou muitos ou todos têm fórmulas que pretendem ajudar a alcançar a felicidade, o sucesso, o equilíbrio e seja lá o que for que as pessoas procuram e precisam. Tipo passos, dicas, que nos fazem atingir esse estado mais facilmente. Quanto a mim, gosto de ler Alberoni, e muito, um sociólogo italiano de renome, que escreve sobre as pessoas, os comportamentos, os afetos, aquilo que me interessa. De facto, vi o último livro que adquiri dele nos escaparates na secção autoajuda e sorri. A minha cotação deve ter baixado automaticamente em certos círculos e, no entanto, a psicologia e a sociologia são áreas do meu interesse. Também me ofereceram "O Segredo" há alguns anos. Não li todo, é verdade, mas a mensagem central é uma grande verdade, a meu ver. Ainda hei de escrever aqui sobre isso. Continuando.
Dizia, portanto, o artigo isso mesmo - o perigo destes livros, por se basear em fórmulas. Ok, penso. Umas páginas à frente, vejo outro artigo (que eu acho sempre que são inventados porque os testemunhos me soam a falso) que diz qualquer coisa como dez passos para chegar ao topo. Profissionalmente falando. Espera aí. Mas isto não são fórmulas? Se não perigosas, um bocadinho irritantes? E, a seguir, como estar bela para uma ocasião e para outra, com todas as dicas, os truques de beleza, os preços nada simpáticos dos trapinhos e acessórios. Também em fórmula, para pôr em prática e ficar irresistível. Sim, também, e desta forma, todas as pessoas e as mulheres muito mais, pelos vistos, ambicionam a beleza máxima e a chave da juventude eterna, a somar a isso. Ora, para quem não o conseguirá - ter as formas perfeitas, ter hipóteses para comprar belas roupas, ter um rosto espantoso, e outros predicados físicos - este tipos de artigos não serão também perigosos? Eu diria que este tipo de revistas femininas (e acredito que algumas masculinas) são um perigo elas próprias. Todas as suas páginas nos inundam com imagens de perfeição, beleza, sedução, moda ímpar, testes, questionários e afins que não mais podem fazer senão criar angústias e infelicidades por não se chegar lá, aos resultados milagrosos. Aliás, a obsessão com a imagem (nada contra tratarmos dela, nada contra queremos parecer e sentirmo-nos bem) não é mais do que o resultado de artigos ocos, de revistas fúteis, se observarmos também um pouquinho melhor. Claro, não serão livros, mas as pessoas leem. E há quem possa sair ferido disto tudo (casos de anorexia, obsessão em imitar as modelos, e tantas outras realidades oriundas destas ou doutro tipo de leituras). Posto isto há, de facto, muita leitura perigosa. Sobretudo quando não a sabemos interpretar. Ou então é isso, o mal não estará nas coisas que se leem mas no uso que fazemos do que lemos. E, voilá, era isso.

6 comentários:

  1. Detesto salas de espera, sobretudo, quando me esqueço de levar um livro...

    Abraço

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    1. Eu consigo ler revistas, dependendo do seu conteúdo e do meu "mood". Relaxam-me, não me consomem muito tempo - de que não disponho com um filho pequeno- e há algumas coisas interessantes no meio de muito que não interessa. Agora, há delas extremamente fúteis e o curioso foi desancarem os livros de autoajuda e serem mil vezes pior, se analisarmos alguns aspetos.
      Outro *

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  2. Sabes que mais, amiga? Concordo que o uso que se faz das coisas é q pode ser bom ou mau... Que mania medirem-se todas as coisas e todas as pessoas pela mesma bitola... Cada um, desde que consciente, é que sabe o que é melhor para si e o que lhe faz bem!!!! Lília

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    1. Ora nem mais, cada um com a sua terapia. :)

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  3. Concordo contigo e com a Lília também. Compro ocasionalmente revistas femininas, daquelas que a meu ver têm alguma qualidade (apesar dos seus defeitos: muita publicidade e futilidade). Mas relaxam-me e gosto dos trabalhos fotográficos e das dicas culturais... Nunca constituíram qualquer perigo para mim, mas criam muitas ilusões, é certo, e podem constituir perigos para outras pessoas. Marla

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    1. Sem dúvida que constituem. Os padrões de beleza e estilo que as de moda, nomeadamente, exibem criam muitas infelicidades, mais do que as que, linearmente, podemos pensar... A mulher é a primeira vítima. Mas lá está, depende do uso que fazemos do que lemos ou vemos. E aí digo o mesmo dos livros de autoajuda. Em termos de vazio, por exemplo, é discutível quem leva o troféu... Vai uma Vogue ou O Segredo? :)

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