Não era, de todo, minha intenção destacar aqui o filme para o qual esta canção foi criada. Já o destacara antes, de resto, a propósito do seu final. Acontece que, querendo em absoluto deixar aqui esta sublime música irlandesa, não encontrei nenhum vídeo que lhe fizesse jus. O clip oficial está já em más condições, tanto visuais como sonoras, e portanto não serviria também o objetivo. O vídeo não é, então, o ideal mas aqui fica à mesma.
Que mais há a dizer? Apenas que palavras tão simples podem tornar-se tão eternas sob os ecos da mística ilha esmeralda. No matter where you go, I will find you - digam lá se não é a envolvência da espiritualíssima música da Irlanda que faz toda a mágica diferença. Clannad, importa acrescentar.
Como não terei tempo para muito mais até lá, aqui fica em mosaico a revolução que se fez e que mudou os nossos dias. Não adianta retirarem-lhe significado pelo que podia ter acontecido a seguir e pelo que tem acontecido entretanto. A coragem emergiu, o silêncio quebrou-se, a noite iluminou-se. Não é, e para que definitivamente se entranhe, nada pouco.
Não sou muito française, por defeito de profissão. O francês que falo, pouco, é o do liceu. Desconheço o francês atual, com gíria ou outros. Compreendo pouco ou quase nada se vir um filme ou estiver a ouvir uma conversa entre nativos ou falantes que se expressam igualmente bem. Gosto de cinema francês, é um facto, e pouco de música francesa, outro facto. Mas nem é isso bem que interessa, aqui, apesar da língua ser inesperada e surpreender ainda mais. Um tema eterno dos The Stranglers, uma música de que gosto sempre. Além de que, nos tempos que correm, é preciso ter alguma - la folie, claro.
Sou essencialmente solar. Não gosto de dias cinzentos, escuros, nada. Mas tolero-os se chover. A chuva traz-me o gosto pelo recolher, e daí calha imaginar, viajar de uma outra forma. Olha-se pela janela e vai-se.
Hoje choveu. Muito, a potes e cântaros. Nestes dias, lembro-me da Irlanda, onde nunca estive. Lembro-me de "A filha de Ryan" e de "Esta terra não é minha", filmes passados naquela Irlanda rural, chuvosa, húmida. Depois também me lembro de "Mau tempo no canal", nos Açores nemesianos. Nove ilhas igualmente debaixo de chuva e tempestades durante dias e dias, onde nunca estive. Depois lembro-me das estações das chuvas, dos trópicos africanos e das monções asiáticas, locais onde nunca estive. Depois sou capaz de me lembrar do romantismo das grandes cidades sob a chuva, pois mais belas são as cidades quando a chuva cai. E sou ainda capaz de me lembrar de histórias de tempestades, crimes e naufrágios. De amores à chuva e de solidões, dolorosas ou não. E, invariavelmente, lá vem à memória também uma música de eleição, uma música que me pôs e põe a chuva no coração, desde há anos. Mesmo que não chovam gatos e cães no vídeo, é para mim, uma música intemporal, uma história quase literária no meio do temporal. Algo trágica, sem o ser... Then the storm... believe the light in you.
E esta foi a minha banda sonora para este fim de semana. É verdade, também sou um bocadinho isto.
(não costumo postar aqui este tipo de música mas o meu ladinho british por defeito de profissão e o culto dos anos 80 fazem-me gostar, muito e ainda, dos Depeche Mode)
O genérico, no início, demora mais ou menos 1 minuto e 20 segundos
(coisa impensável hoje em dia, onde até se omite no princípio, algo que me deixa desagradada e me faz ficar a ver o nome dos atores e pouco mais no fim, já que todos se levantam no cinema e já não consigo ver nem saber mais nada)
As pessoas - e os amantes - escreviam cartas
(coisa impensável hoje em dia, se formos para a abordagem amorosa escrita, podemos arrancar umas sms, até mesmo para nos descartarmos de um relacionamento)
A diferença de classes era notória
(coisa mais subtil hoje em dia, não vivemos em castas, é um facto, não há uma etiqueta a dizer povo, nobreza, clero. mas ainda assim rico atrai rico e pobre atrai pobre, ou canudo atrai canudo, o nome atrai nome e por aí fora)
Os filmes eram rústicos e românticos
(hoje são maioritariamente urbanos e violentos, thrillers, suspense, investigação criminal e forense, muito adn)
Não havia trailers, de todo ou como há hoje
(os atuais são muito vertiginosos, embora dependendo do tipo de filme, é certo. no fundo, não são os trailers que são maus, tecnicamente são bons, são os filmes que não são melhores)
Não é segredo para quem me conhece a este nível - e são poucos - que sou fã do cinema britânico, dos atores, realizadores, e da literatura britânica. Já o disse aqui, no meu seminário, último ano na universidade, o tema era esse - a adaptação de obras literárias ao cinema. Também sou fã de um certo classicismo, pois sou. E este título, O mensageiro, romance e filme, reúne um pouco isso tudo. Trata-se da história de um rapazinho que é feito mensageiro entre dois amantes, na tela Alan Bates e Julie Christie, de forma involuntária, e que, porque ele próprio se apaixona pela protagonista, sofre com o teor das cartas que vai clandestinamente lendo. Toda a intriga é marcada por aspetos de diferença social, o que acaba por levar à tragédia. O rapaz é inocente e, de certa forma, a época também. Ou pretendia-se manter falsamente essa inocência. No original, chama-se The Go-Between. Vale a pena e de que maneira revisitar algum passado, através das páginas de um romance ou no écrã. É um país diferente, realmente. É ir lá e ver.
(romance de L.P.Hartley, de cariz autobiográfico e lido há muitos anos, argumento do filme de Harold Pinter, dramaturgo, realizador, ator, música de Michel Legrand, realização de Joseph Losey)
Tenho o LP ainda, no velhinho vinil. Enquanto publico a canção aqui, o pequeno diz-me "que linda, mãe, deixa-me ouvir". Tão bonita, a melodia, tão bonito, o poema. Tão poética e melodiosa, a voz. Tão grande, este artista que é nosso. E tão bom ouvir esta música de novo, agora e antes e depois, certamente, também.
O fio de esperança que foi anos a fio está, ao que consta, por um fio. Um dos maiores representantes mundiais da resistência e, mais surpreendentemente ainda, da bondade. Não li nenhuma biografia nem vi nenhum filme, a havê-lo, sobre a sua vida. Não vi o "Cry Freedom, tenho o "Invictus" em casa para ver, há tempos, mas desconheço se é sobre ele verdadeiramente. Mas não esqueci mais a lição magnânima com que fundou a nova era da sociedade sul-africana. Num excelente documentário que vi há tempos num canal qualquer, falava-se da sua libertação e da sua nova posição na política. Confrontado com a pergunta, pelos próprios companheiros de luta anti-apartheid, de como era possível incluir na governação e gestão do país gente do regime anterior, que os havia oprimido pela abominável segregação, a resposta surgiu, lesta e nobre. Não é possível construir uma sociedade fundada no bem se não houver perdão. Ou uma sociedade que se quer justa e generosa não pode estar assente no ódio. Que dizer? Não é para todos, não é de todos. A inspiração e a benevolência têm nome africano: Madiba.
Esta música é daquelas que ouço vezes sem conta. Inspiradora, tocante, faz-nos acreditar. Que, no meio do mal, há coisas e figuras extraordinárias. Que podem ser políticos, também, de exceção, que ficam na história porque fizeram história. Escuto-a muitas vezes à noite, já com os auscultadores. É das mais belas que se fizeram até hoje, porque combina uma melodia sem par com uma espantosa história de vida, e oferece-nos um mundo melhor por causa de uma alma maior. Mandela está no fio da navalha, aos 95 anos. Ele que foi o fio condutor da nova realidade sul-africana. E que nos relembra que é preciso resistir e conservar um fiozinho de esperança que nos projete para outra dimensão. Esta música eleva-me. Porque é sobre um homem que sempre esteve muito mais alto.
Gosto desta música, desde que ela existe. Mas não é apenas, para mim, uma boa canção pop/rock. A letra parece-me não ser assim tão linear, não tão apenas romântica. Na verdade, acho que pode ser profundamente existencial, mesmo se falar exclusivamente do amor. Ou por isso mesmo.
Li há muito tempo que Liz Taylor e Richard Burton diziam que não podiam viver separados mas que também não conseguiam viver juntos. Dois casamentos e dois divórcios significam alguma coisa, não é verdade? Pois é um bocadinho deste tema que reveste muitas relações, amorosas ou outras. Talvez seja mais lógico falar das primeiras porque há depois, ou haverá quase sempre, uma divisão do espaço e uma partilha do tempo que se destaca das outras, e um projeto comum que as faz suster de especial forma ou não.
O que significa "não consigo viver contigo ou (nem) sem ti"? No caso das ditas estrelas cinematográficas, parece que era por serem extremamente parecidas. A sua combinação astral pareceria perfeita (ela, peixes com ascendente em sagitário e ele, escorpião com ascendente em carneiro), encaixando perfeitamente os elementos água, emoções e sensibilidade com os do fogo, ação e impulsividade. Atração máxima, entendimento máximo. Mas da mesma forma argumentos iguais, capacidade de luta igual, filmes interiores iguais, reacções iguais. Tudo misturado numa torrente emotiva considerável. Quando bem, é o melhor, o êxtase máximo, quando mal, o inferno.
As pessoas demasiado parecidas ou até iguais conhecem-se reconhecem-se rapidamente. Envolvem-se com frequência facilmente, descobrem o estado de paixão absoluta, tendem a racionalizar muito pouco, enquanto dura esse deslumbramento mútuo. O amor raramente é razão, sabemos. Ou quase nunca. Com os momentos fulgurantes iniciais da paixão a esbaterem-se por via natural, há que possuir um projeto de vida comum. Se este não existe, não se resiste. Mas embora ele possa existir, também nada nos garante que consigamos viver com o nosso amor. Ou ele connosco. Sobretudo se as emoções estiverem sempre um patamar acima da razão. Continuamente.
Para o dia a dia funcionar, com as chatices e rotinas próprias, há uma parte emocional que deve ser desligada da ficha. Brilho, adrenalina, ardor, e outros, a tempo inteiro desgastam a existência. E o mesmo serve para a irascibilidade, a impaciência, a hiper emotividade. Eu diria que até são caraterísticas faiscantes, que acendem um relacionamento mas que também o podem aniquilar. Se não a nível do sentimento, a nível da coexistência. Viver no limbo das emoções e da reações, ainda por cima de forma igual, pode mesmo dar cabo de um amor que podia ter tudo. Ou que tendo, ou tendo tido, nunca desceu à tranquilidade de dias menos feitos de paixões.
Apostila: Pois é. Sempre admirei a audácia de Marlon Brando quando, em 1973, recusou receber o Óscar pelo filme "O Padrinho" em protesto contra o tratamento dos Nativos Americanos no cinema de Hollywood. Depois disso, já houve, de facto, uma outra abordagem. É bom que se mostre o outro ponto de vista, o de quem sempre preservou o ciclo da vida. Sem reservas.
Não, não é Portugal 2013. Indonésia, 1965. Apetecia-me passar aqui a música - "L´Enfant", de Vangelis, o grego que tem, a meu ver, composições antológicas em filmes também eles emblemáticos. E apetecia-me passar o filme, o trailer do filme " O ano de todos os perigos". Trata-se de um filme datado de 1982, creio, com um Mel Gibson muito, muito jovem - e muito, muito belo. Faz de jornalista, um correspondente australiano que se encontra em Jakarta por altura da queda de Sukarno e que se apaixona por uma britânica da embaixada no meio da convulsão que as revoluções e mudanças de poder tantas vezes trazem. Porque gosto tanto do filme? Bem, porque conjuga a geografia longínqua e exótica com romance e porque sou fã da música inesperada e pouco terrena do compositor grego no cinema. Os vídeos que posto aqui são então dois, primeiro, o da música, acompanhando uma das cenas dos protagonistas in love, segundo e último, o trailer do filme, como proposta para quem ainda não o viu ou dele já não se recorda. Sim, gosto de jornalistas-correspondentes, já o tinha dito aqui. E, sim, gosto destes panos de fundo realistas, perigosos e imprevisivelmente sedutores que alimentam seguramente tantos amores por esse mundo fora. O realizador é Peter Weir, mas isso quem conhece The Year of Living Dangerously já deve saber.
"Eu sou uma menina do mar. Chamo-me Menina do Mar e não tenho outro nome. Não sei onde nasci. Um dia uma gaivota trouxe-me no bico para esta praia. Pôs-me numa rocha na maré vaza e o polvo, o caranguejo e o peixe tomaram conta de mim. Vivemos os quatro numa gruta muito bonita.
Quando a maré está vazia brincamos nas rochas, quando está maré alta damos passeios no fundo do mar. Tu nunca foste ao fundo do mar e não sabes como lá tudo é bonito. Há florestas de algas, jardins de anémonas, prados de conchas. Há cavalos marinhos suspensos água com um ar espantado, como pontos de interrogação. Há flores que parecem animais e animais que parecem flores. Há grutas misteriosas, azuis-escuras,roxas, verdes e há planícies sem fim de areia branca, lisa. Tu és da terra e se fosses ao fundo do mar morrias afogado. Mas eu sou uma menina do mar. Posso respirar dentro da água como os peixes e posso respirar fora da água como os homens."
As histórias dos livros e da música que nos deixam pintar o mar...
A voz e as suas músicas tocam-me. Para lá do usual, muito para lá do usual, mergulho num oceano de sentido sentimento, até de uma estranha espécie de dor. É uma viagem que faço, de forma rara, à mais profunda portugalidade e a um tempo em que história e memória se entrelaçam, enternecendo-nos e comovendo-nos de forma única. Há uma tristeza e ao mesmo tempo uma beleza sem fim, um sentir de melancolia e o raiar da esperança em forma absoluta. Assim é este cantar.
Gosto de música andina. É uma alegria escutar as flautas de pã ao vivo, como sucede tantas vezes pelas ruas de grandes cidades ou feiras de renome. Nunca estive nos Andes mas seduzem-me por tantos motivos... Fico-me por esta pequena viagem, para já, à falta de reais aventuras por terras onde habitam lamas e condores.
Sem tempo, afazeres e atividades várias e amanhã dia de finalíssima teatral. Deixo aqui uma música do mundo - para quem gosta decerto conhecerá, já tem bastantes anos. Para quem gosta menos talvez possa passar a apreciar. Em qualquer dos casos, deixe-se embalar, essa é a ideia...
Não, não é o Pingo Doce e a inenarrável e já histórica forma de assinalar o 1º de maio.
É uma canção made in escola onde trabalho, letra e música originais, interpretada por Juliana Carvalhais (que belíssima é esta miúda), e que arrecadou várias notas 20 na finalíssima do ano passado nas Escolíadas. Para quem não conhece, aqui fica.
Este vídeo é o da primeira sessão. É onde a filmagem está, porventura, esteticamente melhor.
Solar, sem dúvida, mas já sentia falta de um fim de semana a chover. Porque convida à leitura ou filme, ao recolhimento, ao sofá, a uma certa quietude que também sabe e faz bem. Em casa e na ausência de tempestade, que bom é poder escutar a chuva.