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outubro 11, 2014

Maduros anos

  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Aqui está a prova de que, no geral, as mulheres envelhecem bem melhor do que os homens.

outubro 03, 2014

A bem e não a mal

 
Sim, sou uma eterna romântica. Não resisto a uma boa história de amor, sobretudo se mistura cinema e exotismo. De tal forma que fiquei de quatro pelo romance que correu mundo nestes últimos dias. O casamento, melhor dizendo. Lindo, de espírito global, à grande e à italiana. Também eu sucumbi ao charme do enlace, também eu "googlei" para ver as fotos e saber mais sobre a love story, também eu me deixei apanhar pelo guarda roupa da noiva e pela beleza que caraterizou o evento. Eu, que nem sou dada a celebrações nupciais. Bom, um salão de festas qualquer aqui na região não consegue competir com os canais e os convidados cintilantes deste mega casório, deve ser por essa razão. Mas o que o tornou especial talvez seja afinal bem mais do que isso. No meu caso, este nó cativou-me por ser internacional e intercultural, por se tratarem de duas pessoas maduras, num registo sem escândalos, sem atilhos, absolutamente clássico, a deixar um incrível toque de sedução e romantismo.
Sobre George Clooney, já havia escrito aqui umas linhas. Não fazendo parte do meu atual top 5 no que diz respeito a atores de eleição, considero que se trata de um homem real real realmente bonito, simpático e elegante, que tem uma faceta humanitária que muito aprecio. No ecrã é igualmente cativante - tenho vindo a apreciá-lo cada vez mais - e achei graça, muita graça, ao eterno solteirão (ou quase) que jurava não casar nunca mais e que agora ostenta uma aliança no dedo à escala mundial de forma nitidamente feliz. E se alguém está feliz assim, eu feliz fico logo logo a seguir. E a noiva? Quer dizer, a Sra Clooney, neste momento? Não a conhecia antes mas aprovo-a completamente. Exótica, independente, diferente. Acho que irradia luz. Para além dos outros atributos que lhe são dados, a luminosidade já pode explicar muita coisa. Aqueles sorrisos nas imagens que vimos e vemos são verdadeiramente incandescentes. Felicidades, para ambos, que sejam muitas, muitas.
Mas nem toda a gente se deixa contagiar. Há sempre quem deseje mal, espere o mal, veja apenas (o) mal. No meio de grande excitação coletiva online, descubro teorias, medos, augúrios, julgamentos, críticas, desdéns, friezas. Que ela, Amal, é feia e masculinizada, que lhe vai roubar o dinheiro todo, que é árabe, que por ser advogada não é automaticamente inteligente, que casaram porque está grávida, porque ele precisava de casar, porque os gays é que gostam de magras, porque esbanjaram dinheiro quando tantos sofrem, porque ele fez do casamento um carnaval, porque se está apaixonado devia manter tudo mais privado, porque ela defende pessoas que até são duvidosas, porque a família dela é drusa, porque ele não é bem sucedido a nível humanitário, porque é tudo uma fachada para ele chegar a governador, porque o divórcio sairá rapidamente, porque ela já é muito velha para ser mãe e ele nem se fala, baaaaaahhhhhhaaaaaaa. Por favor, parem. Relaxem. Ou o mundo está assim tão cheio de cínicos, de descrentes, de agoirentos, de invejosos, de destruidores, de haters, de corações sem chama? Medo, saber ou ler isto mete medo.
Na verdade, ninguém pode dar certezas acerca da longevidade da sua relação ou do seu casamento. Da mesma forma, cada um saberá das razões para estar com alguém sem ou com papel assinado. Quanto durará este matrimónio é coisa que seguramente não interessa. Pode durar para sempre, como os nossos, ou não, como os nossos. Se durar apenas o tempo de uma fita de cinema afinal já terá valido a pena. A bem dizer, foi um casamento digno de filme. E eu cá não levo isso, de todo, a mal.

outubro 01, 2014

Solidão de uma forma e de outra forma

                       

A solidão física geralmente é indolor, porque e quando necessária e desejada. Já a solidão afetiva é passível de se tornar num imenso deserto de dor. Ela pode ser necessária, como luto ou forma de autoconhecimento e renovação, e por isso mesmo até ser desejada. Mas provavelmente não a tempo inteiro, não eternamente. Já a primeira, por entre saltos de tempo variáveis consoante os humores ou as vontades, pode durar uma vida inteira. Tanto uma como outra podem, no entanto, ser compatíveis com o caráter e as emoções mais profundas de cada um. Ou também podem não ser.

setembro 28, 2014

Atrás de um grande homem


   
 
                   
Ontem ao rever uma boa parte do filme Troia, houve um frase que me ficou na memória, que não fixara da primeira vez que vira o filme, no cinema e já há alguns bons anos. Uma das protagonistas diz ao seu amado: "Não quero um heroi, quero um homem com quem possa envelhecer". Engraçado como Helena de Troia resume o pensamento feminino, acredito que em larga escala e através dos tempos, no que diz respeito ao amor e de certa forma ao casamento ou a algo que se assemelhe.

Na verdade, penso que é preciso muita coragem ou uma consciência social, política ou humanitária muito forte, por parte das mulheres, para aguentarem a ausência dos companheiros por longos períodos de tempo e em que o risco máximo esteja presente. O risco de eles perderem inclusivamente a vida e assim perder-se o amor. E não posso deixar de pensar também como é diferente o mundano chamamento dos homens em relação ao universo dos desejos mais profundos e intrínsecos das mulheres.

Nunca deixei de pensar nisto ao ver biografias sobre homens que ficaram na história e que se tornaram herois para gerações presentes e futuras. Um desses exemplos foi a vida de Che Guevara, um mito à escala mundial, que se perpetua na memória coletiva pelos seus ideais de revolução e liberdade. Mas, sobretudo enquanto via o filme de Steven Sodebergh, não deixava de interrogar-me: o que faz um homem com família, mulher e filhos, quando estava já instalado em Cuba, largar tudo e ir combater como guerrilheiro para a Bolívia, onde aliás perdeu a vida? A nível de abnegação por uma causa é notável, o sacrifício pessoal em prol de um projeto social, de um ideal de justiça. A nível familiar pensei na esposa que deixou para trás, como os homens deixam sempre as mulheres, fortes decerto mas decerto sofrendo, como as deixam na retaguarda, ao sabor de dias receosos, expetantes, sob o signo da ausência.

Da mesma forma, e não querendo de forma alguma estabelecer nenhum paralelo que não seja este, o das mulheres de armas que não pegam em armas, os guerrilheiros medievais do EI fazem exatamente a mesma coisa. Interrogados pela "Vice News", um dizia que tinha deixado a mulher os filhos e que estava ali por uma causa maior, que a causa era maior do que o resto. Não deixa de ser arrepiante, quando sabemos que a causa significa o terror e o anacronismo, mas o enfoque nesta questão serve o mesmo propósito deste post. E continua a ser algo que causa arrepios, se fundamentalmente do ponto de vista romântico e amoroso.

A coragem em os deixar partir é muita. Ou provavelmente nem se trata disso, são opções do mundo masculino que se regem frequentemente por motivações muito diferentes das do feminino. Eles querem partir, devem partir, o mundo chama-os, o ideal, certo ou errado, nem isso importa aqui, vão-se às as armas e à luta,  alguns voltam, outros não. De qualquer das formas trata-se de uma grande e decerto dolorosa prova para a mulher. Sobretudo se quis um companheiro para dividir as cores dos dias, se o seu coração é mais poderoso do que a cabeça, se não compreende os desígnios do destino e dos homens quando comparados com a alquimia do amor.

Atrevo-me a dizer que a grande maioria de nós, mulheres, não quer herois, à semelhança de Helena de Troia, mas apenas afeto e companhia, isto se falarmos numa base quotidiana e sem sonhar com grandes filmes. Se há delas que estoicamente resistem à saudade e à ausência e conseguem esperar, pelo regresso ou pela criação de uma lenda, outras há que sustentam o histórico longe da vista longe do coração. Admiro as primeiras mas não condeno as segundas. Poucas relações, creio, resistem eternamente às causas, ao apelo do mundo, ao sacrifício em nome do coletivo e em detrimento do estritamente pessoal.
 
O amor é pessoal, pessoalíssimo, e a construção de uma família também. Por muito que admiremos os herois do passado e do presente, não percamos a noção das suas bravas - infelizes? - mulheres na retaguarda. Honremos as que resistem e compreendamos as que sucumbem e anseiam por mais paixão a alimentar-lhes as horas. A esposa de Heitor, viúva, ganhou o estatuto de heroina mas, no filme, é Helena que envelhecerá como e com quem quer.

setembro 22, 2014

Domestiquices


Uma conhecida cara da nossa praça disse que consegue manter o seu acelerado nível de trabalho porque, e cito, "não faço rigorosamente nada em casa", acrescentando que tem obviamente quem faça as tarefas por ela. Não, não vou criticar esta confissão, de todo. Na verdade não consegui evitar uma colossal inveja deste estilo de vida. Tirando qualquer espécie de doença ou impedimento trágico, este é o modus vivendi a que eu almejo desde sempre. Nós, as mulheres que têm uma profissão, que também têm filhos, sobretudo pequenos, e que realizam as inúmeras tarefas domésticas, não conseguimos competir, frequentemente, com as que só têm de preocupar-se e ocupar-se com a profissão, ou então que nem sequer uma profissão têm, e isto em termos de frescura, boa disposição, aspeto, disponibilidade de vários tipos e demais apetrechos que nos fazem inclusivamente até perder maridos e companheiros que, coitados, não resistem às curvas da vivacidade e do prazer, quer dizer, lazer. Assim, de caras, é uma realidade. Ainda que haja as super mulheres que tudo parecem ou dizem fazer, muitas vezes as marcas desse esforço, abnegação ou escravidão estão no rosto, no corpo ou manifestam-se de uma forma qualquer. Pessoalmente, quem me dera, estando saudável, não ter de fazer rigorosamente nada em casa. Não, nada, nem cozinha, nem roupa, nem aspirador, nem mangueira, nem camas, nem esfregona. Sobretudo nada que me roubasse tempo, energia e paciência ao tentar, que remédio, fazer quase tudo. E beleza, então não. Tenho dito, de forma totalmente honesta e desassombrada.

Logo no dia a seguir dou de caras com a frase de outro nosso conhecido a nível nacional. Dizia ele, citando novamente, "em casa ela é que faz tudo", referindo-se à sua super companheira e decerto embevecido com estes super poderes que o safam a ele de colaborar (já nem me atrevo a dizer dividir...) nas tarefas quotidianas do lar. Resta saber se "ela" está mesmo satisfeita no seu papel de super fada doméstica que poupa e decerto mima o seu macho e se alimenta isso mesmo ou se, à falta de cooperação, por defeito de fabrico ou ausência, nada mais lhe vale do que a sua incrível energia e juventude. Claro que, neste caso, os filhos ainda não vieram e não sei se a mesma eficiência aguentará o que acompanha a maternidade. Ah, claro, sempre pode arranjar alguém que faça depois rigorosamente tudo. O que é o ideal, pelo menos para mim. Seria, como já deixei claro acima. Mas, de uma maneira ou de outra, com filhos e cadilhos ou não, como me chateia esta coisa da mulher (ter de) ser sempre a eterna gata borralheira (e preferencialmente terna ao mesmo tempo, por razões evidentes). A história é sempre a mesma, muda o tempo e não muda a vontade. E aqui a culpa é todinha do machismo. Ou deles ou delas, que o fazem subsistir. 

julho 19, 2014

A seu tempo

                      

Veem-se imensos pais atuais com pressa de que os filhos cresçam depressa, antecipando mundos adultos que deveriam chegar apenas no seu tempo. Ou escravizam os miúdos com horários e atividades non-stop ou deixam-nos antever formas de entretenimento que não são próprias do seu mundo infantil. Lembrei-me mais uma vez disto a propósito da presença de crianças de 6, 7, 8, 9 anos em concertos pop ou rock (por exemplo, estavam várias no dos Rolling Stones, vi nas reportagens televisivas). Também já vi, tempos idos, muitas crianças pequenas em cafés até às duas da manhã, de forma que diria quase habitual. Interrogo-me se as crianças conseguem apreciar este tipo de divertimentos ou se são os pais que promovem estas coisas por pura vaidade - pode ser por ignorância, mas não acredito. Ou se os pais não conseguem colocar o bem estar dos garotos à frente dos seus próprios interesses de diversão. Sou um bocado fundamentalista nestas coisas, voilá, nobody is perfect - considero que se deve controlar as horas de deitar dos miúdos, que se deve controlar os seus hábitos alimentares, que se deve controlar as imagens que veem na TV, que se deve controlar o tipo de coisas que têm no quarto, que se deve controlar o uso de palavrões, que se deve controlar a obsessão por marcas, que se deve controlar o descanso e que se deve controlar o encanto do imaginário infantil. E quando a palavra controlar soar feia e não for aplicável substitua-se por respeitar. As pessoas grandes não estão, muitas vezes, para fazer sacrifícios em favor das mais pequenas. E arrastam-nas consigo para horas e locais que não são os destas. Ou então querem à viva força que os rebentos saibam tudo, vejam tudo, façam tudo o mais cedo possível, como vantagem sobre os outros. Nada a apontar sobre o desejo de sucesso dos nossos filhos, é naturalíssimo, mas importa também refletir a que preço. As crianças não têm tempo para ser crianças, sendo atiradas para espaços e horários que afetam o seu bem estar, concentração e afetos, constituindo estes o pilar do seu esperado e harmonioso desenvolvimento emocional. Sem muitos dramas nem cultivando os traumas, a verdade é que nestas matérias costumo estar do lado dos psicólogos. Dê-se afeto e tranquilidade aos miúdos, isso é que é o que realmente mais importa. E, sobretudo, tempo. Tempo em várias e essenciais formas.

julho 02, 2014

Jogadores, jogadores, beleza à parte

                       
         
Partilho aqui uma questão curiosa, especialmente com os membros do sexo feminino que passam ou poderão passar por aqui. É minha impressão ou os jogadores de futebol estão cada vez mais feios? Passo a explicar. Não tenho visto quase nada do Mundial 2014, apenas está a televisão ligada nessas alturas, porque o pequeno desenvolveu um interesse agudo pelo evento, chegando ao ponto de dizer que não pode perder nenhum jogo e falando em jogadores que não conheço mas que estão lá, existem, e de que maneira. Ora, este interesse começou pela aquisição da caderneta e foi a partir desta que o meu post nasceu.
Ao folheá-la confirmei aquilo de que já desconfiava - a tal minha impressão - de que já não se fazem jogadores bonitos como dantes. Ou eles apostam no feio porque querem ser levados a sério, quer dizer, vender uma imagem mais alternativa, algumas vezes, ou eu já alterei o meu padrão estético com a idade, é possível. São ou estão todos, bem, quase todos, perfeitamente longe da beleza que já vi passear em campo noutros tempos. Onde vi umas 2, 3 carinhas larocas, no máximo? Na Bósnia, é verdade, que pus em primeiro, na Alemanha, na Suíça, até penso que nos EUA, sim, estes com 3 ou 4. Holanda e Austrália talvez com 2. Também considerei o mesmo na Costa Rica, para fugir da tonalidade menos bronzeada, o que me agradou também. Nesta linha, a Argentina, não estando totalmente bem, também não está muito mal. Na Itália ia apanhando um susto. Tive de voltar a ver o nome do país em cima, não fosse estar na página errada. Mas então onde estão os italianos herdeiros dos romanos, pelo menos daqueles que aparecem nos filmes e nas séries? Em Portugal, a mesma coisa, parece que o efeito Rui Meireles é contagioso. E na Grécia? Por momentos, pensei tratar-se da equipa taliban do Afeganistão, nada contra os afegãos, há gente bonita em todo o lado, mas não é de todo o meu conceito de beleza a combinação barbas e roupas de guerrilheiro. Ora aqui está mais uma razão para continuar a não ver futebol. 

junho 17, 2014

Coisas que me irritaram

                        

A derrota de Portugal, claro. Não é que eu ligue alguma coisa ao futebol hoje em dia mas lá volto a ligar nestas alturas de bandeiras e hinos à espera de alguma sentimental alegria que nos ponha mais contentes por uns bons instantes. Mas foi muito golo do outro lado, golos a mais, pronto. No entanto, isto foi o que postei no meu FB logo a seguir: Não se pode ser grande por picos e apenas por vontade. A grandeza é permanente e tem de ser muito cultivada para se manter. A vários níveis. Serve para o futebol e para muito mais. Leia-se como eu quis que fosse lido ou leia-se de maneira diferente, se se preferir. É preciso uma coisa chamada investimento para se ser grande, ser sempre grande.

A seguir, um amigo brasileiro analisou a derrota portuguesa sob um prisma, como dizer, político, e ao qual achei piada, com a minha eterna capacidade de me distanciar e de brincar com as minhas/nossas falhas. Mas o irritante mesmo foi ver, nos comentários ao post, outros brasileiros, presumo, a tecerem comentários jocosos sobre Portugal, ou, pelo menos, já não lhes consegui achar grande graça. Esta coisa das antipatias nacionais e choques culturais, seja entre que nações forem, não fazem o meu género, embora reconheça que não temos de gostar dos brasileiros apenas porque falam português e eles não têm de gostar dos portugueses pela mesmíssima razão. O sentimento não tem de ser especial, é um facto, mas ainda assim gosto quando o é, de cá para lá e de lá para cá. Lá fiz depois um comentário que ainda ninguém ousou comentar.

Finalmente, e como se não bastasse, dou de caras, também no FB, com a publicidade a um blogue chamado Detalhes de Casada, a falar de bordados e decoraçõezinhas todas elas lavores. Atenção que eu adoro decoração, de coração, mas é da outra, não destas, nada contra mas não, obrigada. Não gosto sobretudo do nome do blogue, soa a estado novo, a fada do lar em modo obrigatório, a seca e a mulher chatinha, sendo que o desplante maior ainda é o casada, como se a solteira não pudesse gostar de fazer estas coisinhas, ou a divorciada ou a viúva, ou como se não tivessem, sequer, casa. Ou, possivelmente pior ou não, como se a casada tivesse de o fazer ou de gostar, já que as duas coisas juntas, fazer e gostar, é muita areia para uma mulher só.  

Ai, as coisas que nos irritam são aquelas que não nos movem, a não ser mover-me, sair daqui, para ir dormir; off to bed.

março 11, 2014

Facilidade e dificuldade

     

Não são raras as vezes em que quem não é pai nem mãe, independentemente da razão, dá grandes palpites sobre como educar as crianças. Toda a gente tem o direito de opinar, sobre isso não há dúvida, apenas acho que teorizar é uma coisa e passar por elas na prática é outra. Eu também dizia e dizia antes de ser mãe, tinha mais certezas do que tenho agora, pois tenho cada vez menos. Por isso as acho descabidas, as recomendações, e absolutamente indesejadas quando não pedidas. Então as observações ao jeito de reprimendas nem se fala. Como se pode criar e aplicar um manual de intruções quando se desconhece algo na sua mais profunda realidade? Opinar, sim, falar com a voz da experiência, não. Mesmo se se dizem coisas teoricamente muito acertadas. O pior é o desacerto diário que significa educar, educar bem, pelo menos. Na prática, educar é difícil. Já falar é sempre mais fácil. Criticar, censurar, desaprovar. Também aqui, com os filhos dos outros. 

fevereiro 10, 2014

O fado feminino


Ao que soube, a atriz Meryl Streep terá dito que as mulheres ocidentais são escravas da beleza. Que os homens quando se encontram perguntam "Como estás?" e que as mulheres dizem "Estás ótima!". Não sei se o terá dito efetivamente ou não mas o que aqui está expresso merece um bravo aplauso pela verdade que encerra. Sem mais nem menos. Há anos que assim penso, que a nossa libertação é muito relativa e que um dos aspetos que a limita é precisamente este - o da obsessão com a imagem, com a eterna juventude e com as medidas perfeitas. Tudo bem alimentado pelos media, naturalmente. E com a máxima colaboração de muitas, de mais do que muitas de nós.
Por outro lado, que não contradiz em nadinha isto tudo, ouvir "estás ótima!" já é um sinal de sorte, porque muitas são bafejadas com um "estás tão magrinha" acompanhado de um ar falsamente preocupado, na verdade de idiota comiseração. Ou um "estás mais gordinha", acompanhado de um sorriso maroto nem sei bem porquê. Esta atriz, que nunca se impôs por nada para além da sua graça natural, enorme talento e sensível afetividade, acertou na mouche. Deixemo-nos de balelas. A imagem é cultivada até à exaustão, e literalmente por vezes, não porque nos faz sentir melhor por dentro e melhores como pessoas, harmonizando assim a nossa vida e as nossas relações. A beleza é perseguida e a imagem alcançada de formas por vezes não naturais porque nos queremos sentir bem por fora, ao espelho e para os outros, para as outras, muitas vezes. Se ela é, eu também tenho que ser, se ela tem, eu também vou ter, se ela pode, porque não posso eu. Isto enquanto mil imagens de rostos e corpos perfeitos são processadas no nosso cérebro, em estimulação non-stop que vem das revistas, dos filmes, da net, da televisão, da moda, do espaço. 
Isto existe e desassombrada a forma de quem o admite publicamente. Tudo isto existe e é, na realidade, triste. 

janeiro 05, 2014

O melhor dos melhores


Cristiano Ronaldo vai ser condecorado pelo PR. E parece que há uma carta que lhe foi dirigida, não sei se apenas nas redes sociais ou não, em que lhe pedem para refutar a honra. Que o deve fazer se se considera português é mais ou menos o que lhe é pedido. Não faço ideia de quem partiu esta iniciativa nem quantos aderiram ou concordam. Pessoalmente penso que ninguém pode exigir algo deste género baseado no sentimento de ser português, deixando alguém de o ser porque não faz o solicitado. Tem direito ao prémio, merece-o, gostando ou não de futebol e apreciando ou não o jogador (confesso que a sua recente definição de mulher perfeita, "corpo espetacular e beleza", só o fez descer pontos na minha escala de valores mas também não deve ser seguramente o único). Obviamente que se o fizesse de livre e espontânea vontade (tantos outras figuras nacionais e mundiais já refutaram prémios) registaria uma atitude superior, de sensibilidade social e solidariedade nacional, mas também devemos não esquecer que CR não é uma figura engagé, a sua ´arte´ está acima de elitismos sociais ou intelectuais, é apenas um grande jogador que concentra em si todas as atenções, veio do nada e chegou longe, personifica uma espécie de sonho mais que americano porque global, houvesse muitos como ele e o mundo seria mais feliz. Por mim, CR vai aceitar, e com satisfação, o prémio e nós satisfeitos estaremos não porque quem entrega o prémio é o PR de quem claramente não gostamos mas porque é um prémio português para um português que leva o nosso nome muito para além das nossas fronteiras. 



Adenda: Agora escuto que faleceu Eusébio, o maior de sempre, também em humildade, simplicidade e serena afetividade. Não consigo travar uma tristeza em mim pelo jogador, homem e símbolo que se foi para sempre. Se Cristiano lhe dedicar o prémio ficarei - ficaremos? -  um bocadinho mais feliz com essa condecoração. 

novembro 14, 2013

O lado sapato



Salvo seja. O título, melhor dizendo, e lembrando-me de uma velhinha frase dita numa revista por Rita Lee. Quanto ao post, é para não se dizer que não falo de sapatos. Não falo, é certo, mas mostro-os. E numa língua que dá jeito, caso se vá para fora ou se esteja a ler revistas de moda femininas e sugestões dadas por quem sabe. Quanto ao armário de cada uma, é ver o que falta.

(Custou-me ver a diferença entre os platform e os pumps, mas ela existe, existe mesmo. E agora confirmo que os peep toes não são pumps, claro que não, silly me, peep é aquela coisa do espreitar, engraçado o nome, acho que há um filme chamado Peeping Tom, agora que me lembro. Aqui está matéria para uma boa aula em inglês, para meninas, preferencialmente, é possível. Talvez inclui-la no tema shop till you drop, por exemplo?)

outubro 31, 2013

Amigos amigos géneros à parte


                    

"A amizade, entre um homem e uma mulher, é (o leitor que escolha): um bico de obra; uma coisa muito linda; ainda mais complicado que o amor; absolutamente impossível; amizade da parte da mulher e astúcia da parte do homem; astúcia da parte da mulher e amizade da parte do homem; só é possível se a mulher for forte e feia; impossível se o homem for minimamente atraente; receita certa para a desgraça; prelúdio certo para o romance; indescritível; inenarrável; sempre desejável; o que Deus quiser; o diabo." MEC

Uma amiga postou isto e achei muita piada. Eu, leitora, escolhia algumas, sem hesitações. Tenho amigos homens, essencialmente colegas, muito bons colegas, melhor dizendo. Amizades íntimas são poucas, sobretudo por opção e maneira de ser (independente). Poucas, dizia, sejam homens ou mulheres. Poucas mas muito boas, já agora. Quanto aos homens, e batendo certo com algumas coisas ali em cima sic MEC, a verdade é que perdi alguns amigos - vários - quando me casei. Foram deixando de telefonar, de aparecer, de estar comigo -ou  connosco. Agora não sei se o fizeram porque deixei de estar disponível, quer dizer, livre, ou se por respeito ao respetivo, do género pensarem que causariam algum tipo de aborrecimento, é bem possível. Também é possível que nestas coisas os homens sejam mais observadores do compromisso alheio, enquanto que as mulheres continuam atiradiças e conversadoras com os homens casados. Não é regra geral, mas é possível. Ou então é mesmo aquela coisa do é impossível uma amizade desinteressada entre um homem e uma mulher. A não ser que ele seja feio ou ela feia. Ou os dois feios, o que também é possível. Os dois bonitos e atraentes deve ser um berbicacho, sobretudo se forem casados, um ou outro, ou até, possivelmente, os dois. Por causa da ciumeira dos respetivos, que pode ser possível. Mas há casos e casos. Pode, no fundo, esta amizade ser o que as pessoas quiserem. Ou então o que Deus quiser, claro. E aí a amizade pode desembocar em romance, é possível. (E numa possível desgraça.) Ou não, o que também não deixa de ser possível. Posto isto, aos bons amigos. Se possível, bonitos e atraentes, o que me parece impossível. Mas é possível que os haja, é um facto. Com ou sem astúcia, eis uma boa questão.

outubro 30, 2013

Quando não se vai à bola


Não é bom nem convém dramatizar a situação mas também a mim não me caíram bem as palavras do presidente da FIFA sobre o jogador Cristiano Ronaldo. Não é por ser português, é porque é um grande jogador (o melhor ou não, isso não vem ao caso) e não pode ser referido como  "o outro". Este tipo de tratamento revela alguma frieza e sobretudo algum desprezo, quando lhe é reconhecido o mérito futebolístico pelos quatro cantos do globo. E depois a cereja podre em cima do bolo estragado: refere os gastos no cabeleireiro do  português, por oposição ao bom rapaz que será Messi (e será, nada contra). Não se percebe o que tem isto a ver com a qualidade do futebol praticado e não se percebe quando houve um jogador que viveu da imagem como nenhum outro - Beckham - e, que eu saiba, ninguém o julgou ou gozou publicamente por isso. Ninguém com responsabilidades públicas e desportivas, ainda por cima. Sem entrar em histeria coletiva e nacionalista, a verdade é que observações deste género não ajudam a serenar em nada o já de si explosivo mundo da bola.

outubro 25, 2013

Grilhões em demasia



Estou a ver histórias de perto, histórias de que não gosto, muitas histórias. Em demasia, até. São demasiadas as histórias de mães que são roubadas e agredidas pelos filhos, são demasiadas as histórias de mulheres que são maltratadas pelos maridos, são demasiadas as histórias de consanguinidade sexual forçada nas famílias, são demasiadas as histórias em que os jovens companheiros das mães exercem violências várias, são demasiadas as prisões e dores a que as mulheres se submetem neste país, em pleno século XXI, pós-libertação feminina, pós-direitos das mulheres, pós-lutas pela igualdade. São demasiados os casos em que as mulheres são agentes e vítimas de tragédias suas e de quem é delas. Se, por esse mundo fora, há leis que ainda legitimam certos comportamentos e práticas, aqui já não. O que torna, então, possível estes grilhões em que ainda vivem? Amor, medo, vergonha social, dependência emocional e financeira, medo da solidão, pavor da perda. Onde fica, por causa disto, a dignidade de cada uma, o amor a si mesmas e também, em certos casos, aos seus? Nas escolas sabemos o que se passa em muitas famílias, com muitas mulheres, com muitos filhos e filhas. E saber, já sabemos, é sofrer. Sobretudo quando, ao ajudarmos, ao tentarmos compreender e ajudar, falhamos redondamente. Para o diabo com as leis do coração que só trazem sofrimento. E igualmente para o inferno com as leis da estrutura familiar que se alicerçam no terror e na violência. O medo destas mulheres fá-las sofrer e fazer sofrer outros. Não há lei que o legitime e, no entanto, não tem conseguido a lei erradicá-lo. Não pode libertar-se quem não afronta o medo que aprisiona. A emancipação é uma fraude, a liberdade é uma máscara. Para muitas, porque o sabemos. Ou para demasiadas.

outubro 13, 2013

Os olhos da cara


Há dois dias trouxe para casa uma revista feminina, o que não fazia há tempo. Pouco me interessou, a não ser a crónica do PRD relativa à maioridade do filho (como as suas palavras são sempre certas, serenas, afetuosas, nem a mais nem a menos) e um artigo sobre uma tendência necessária, eco-friendly e sensata, o downsizing. Hoje, enquanto esvaziava mais um pouco um armário, pois escolhia alguma roupa do pequeno para dar aos primos, lembrei-me do artigo. Toda a razão e lógica pela sensatez e despojamento. Foram estas as coisas que retive da revista, tudo o resto é absolutamente superficial e pouco razoável, até. Explicando, não faz para mim muito sentido (embora só compre quem quer e quem pode, eu é mais não quero e não posso) estar a olhar para sugestões de moda e beleza coladas a preços perfeitamente inaceitáveis nos dias pincelados a crise que vamos atravessando. Hidratantes a cem euros, botas a quinhentos, pulseiras a mil, e outras coisas mais a preços mais ainda, enfim, uma panóplia de produtos que custam os olhos da cara para muitos de nós. Se é certo que os olhos (também) comem e que, infelizmente, para irmos a algum lado temos de não descurar ou investir na imagem, a verdade é que me choca ver tanta ostentação, ou melhor, propagação de estilos de vida que em nada se assemelham com o que a maioria das pessoas, particularmente neste momento, pode ter ou vir a usufruir. Pode argumentar-se que são apenas sugestões e que os "fashionistas" mais espertos e mais pelintras podem adaptar as tendências a preços muito mais acessíveis, mas não deixa de me irritar esta constante e crescente atenção que se dá às grandes marcas e às multinacionais da moda e da cosmética, nomeadamente, através dos media. Uma revista feminina, para além disso, com apenas dois temas interessantes e construtivos é muito pouco. Por isso as deixei de comprar, seriam incomportáveis numa base diária. Há, ainda, artigos absolutamente carenciados de pesquisa, de verdade e de conhecimento. Este tipo de imprensa alivia, distrai, é certo; o nosso lado vaidoso, por exemplo, gosta de espreitar o que se usa, mas nada mais. Pelintra e a milhas e milhas de ser uma fashion victim, os meus olhos precisam de outro tipo de estímulos para continuarem deslumbrados. Precisam mesmo de ir para além da cara.

setembro 29, 2013

Loisas e coisas


         
              

Não estou - devia estar? - preocupada porque não tenho estado a refletir. 

Vi mais televisão hoje, e não foi muito, do que vejo habitualmente num mês. Dei uma volta pelas telenovelas portuguesas e, justiça seja feita, a nossa ficção tem evoluído muito. São é muitas, à mesma hora, e a quantidade só baralha.

Considero inacreditável o nível de insultos e de estupidez que vejo nas caixas de comentários dos (excelentes, hiper excelentes) textos do Daniel Oliveira no Arrastão. E como ele responde a um ou outro comentário, imagino que os lê todos. É dose... 

A prova de acesso para ingressar na carreira docente peca por duas coisas: passa um certificado de incompetência às universidades e promove a desigualdade. No dia em que os governantes e ministros da educação também a fizerem pode ser que tudo seja mais igual. Ou então que as universidades chumbem mais. Que os liceus chumbem mais. Que a primária chumbe. E que o PR, pois então, chumbe esta mirabolante ideia.

Andei a ver fotografias de decoração online, no FB. Decididamente sou mais El Mueble do que Interdesign Interiores. Esta última abordagem ao décor é muito moderna, muito in, mas o minimalismo acaba por cheirar-me a hospital em muitas das suas criações. Não há vida; tudo simétrico, sintético, absolutamente estético, mas decoração sem madeira, sem fusão de estilos, sem exotismo, sem criatividade colorida, sem calor, . Prefiro o estilo mediterrânico, onde é mais fácil encontrar isso tudo. Portanto, nem clássico barroco e pesado nem minimalista hospitalar e frio. Diversidade, conforto e alma devem ser as palavras...


(6 etiquetas para um só post é record absoluto aqui no AE. Agora que reparo. )

setembro 03, 2013

É ela menina que vem e que passa


A questão do piropo, vista à primeira e da forma como tem sido tratada na blogosfera, soa, obviamente, como uma tontice. Afinal, passar perto de obras é ainda e sempre um grande teste à nossa boa forma. Há piropos que até nos elevam a autoestima e são bem vindos. Eles acontecem um pouco por todo o mundo, eu cá aprecio especialmente o italiano bella, portanto, uma vez que a ideia é para aplicar, seria, cá no burgo, sinto-me feliz porque poderei continuar a ouvir estas musicais palavras sempre que for a terras italianas. Ou o gata brasileiro, pois é igualmente bom de ouvir. Claro que são palavras que enchem o ego a todas porque a todas ou quase são dirigidas mas não faz mal. Um pouco de ilusão nunca fez mal a ninguém. Uma tontice, a sê-lo, que já me fez rir e que é, naturalmente, passível de um chorrilho de críticas logo de imediato. 
Por outro lado, e porque não consigo, muitas vezes, deixar de ver a coisa pelos dois lados, é bem verdade que há piropos, ou melhor, ordinarices que são ditas e que incomodam seriamente quem as ouve. Já todas as teremos ouvido e aquilo que nos incomoda não pode ser aceite de ânimo tão leve. Uma senhora ignora, dir-se-á, e é o que fazemos, na maior parte das vezes, mas um bom par de estalos não seria uma má ideia, pois há, porque conheço, quem o tenha feito! Aquilo que nos incomoda e fere a nossa dignidade individual, noção que pode diferir de pessoa para pessoa, de mulher para mulher, deveria tão somente não tomar lugar. Provavelmente, o que as bloquistas pareceram propor, ao que percebi de relance, uma espécie de criminalização à maneira, não será a solução. Qual é a solução, então? Bom, se for persistente e se tornar assédio sério, a coisa já se torna também mais séria, e há o direito de apresentar queixa. A não ser, esperar que as mentalidades evoluam.
Na verdade, parece - e digo apenas parece porque não tenho grandes termos de comparação - que o piropo, sobretudo o mais atrevido, e até o assédio parecem ocorrer com maior frequência nas sociedades mais machistas tradicionalmente. Os países mediterrânicos, latinos e árabes, a latinidade, novamente, da América do Sul parecem, repito, levar a dianteira nesta questão da abordagem verbal às meninas que passam. Somos culturalmente mais machistas, é verdade, mas também há outros aspetos das nossas sociedades, numas mais do que outras, em que o machismo é visível e bem mais grave. No fundo é um colorido pitoresco - para quem aprecia o género - muito próprio de povos ainda muito passionais, respondendo a questões climáticas ou não só. 
Pessoalmente, não suporto a vulgaridade. Condeno-a e não é bem vinda. Se me incomodar até um ponto intolerável tenho o direito de exigir algum tipo de punição ou, no mínimo, apenas de mudança de comportamento. A não ter a coragem de espetar uma galheta. A graça, o humor e os piropos mais saudáveis - pelo menos na minha cabeça - já são perfeitamente aceitáveis. Como em tudo ou quase, há o bom senso. Desejável que os que os atiram o tenham e quem os recebe também. Sejam homens ou mulheres a atirar (que as haverá e porque não havia de haver) ou a receber.

agosto 25, 2013

As horas


Deparei-me com uma frase da estilista Fátima Lopes em que afirma sentir-se chocada com a resistência às 40 horas semanais e acrescentando que ela própria nunca trabalhou menos de 40 horas por semana. Três coisas: primeira - é verdade que não se vai lá sem trabalho e sem esforço; segunda - a estilista trabalha por conta própria, para ela, e sabemos que as pessoas que o fazem são naturalmente mais esforçadas, nomeadamente em termos de horário, por razões mais do que óbvias; terceira - a opção da estilista não é seguramente a de muitos, ou seja, (diz que) não quis ter filhos, está no seu direito, claro, e, neste momento, é, ou parece ser, uma mulher livre, com as implicações que isso significa, mais tempo e maior disponibilidade para se dedicar àquilo que gosta e que a faz ganhar e muito. Por outro lado, não nutro simpatia por workaholics que apregoam o trabalho como opção primeira de vida e que apenas se parecem projetar através dele. Mais uma vez, estão no seu direito, mas também estou no meu ao discordar de uma éxistence privada de ócio e vida familiar. Posso trabalhar até à exaustão, por profissionalismo ou brio, ou respeito e gratidão, mas não porque o procure necessariamente. Na verdade, trabalho porque preciso, e portanto não sou uma viciada, de longe. Por dádiva, fazia mapas astrais e outras coisas que dessem apenas prazer, a mim e aos outros. Eu, nestas matérias, não sou nada feminista - acho que nós mulheres, mães pelo menos, devíamos ter horários completamente adequados à educação e acompanhamento dos filhos, como se vê, penso, em certos países do norte da Europa. Não estejamos com histórias: na senda da igualdade quem perde somos nós. Não basta o full time, como ainda damos o litro com as tarefas domésticas e a supervisão da escola, da saúde, da roupa, da alimentação dos filhos. A maior parte das encarregadas de educação são mães, isso diz tudo. Eu cá voto não pelas 40 - um retrocesso - mas pelas 20. Sou diferente por ser mulher? Sou e não me importo nada de o ser. Quem me dera mais tempo para maior qualidade de vida, para mim e para os meus. Ou é bom as crianças passarem o dia todo na escola e no ATL, com as consequências várias que daí decorrem, nomeadamente a falta de concentração e um grande desacompanhamento que às vezes induz a certos comportamentos? Mas isto vinha a propósito da Fátima. O sucesso advém da dedicação e da entrega, mas cada um trilha o seu caminho. A opção dela não é a minha nem será a de muita gente (mais horas quando ainda por cima dizem que há funcionários a mais?). Gosto de equilíbrio e desiquilibro-me se não o tenho. Trabalho e conhaque, entenda-se. Tem de haver horas para os dois...

agosto 15, 2013

Histórias no feminino que fizeram história



Ando a ler - ou reler, a completar a leitura iniciada anteriormente - o livro Mulheres que amaram demais, de/a Helena Sacadura Cabral. Tenho apreciado bastante as histórias de vida no feminino, à semelhança do que já tinha acontecido com Histórias de Mulheres, de Rosa Montero. Trata-se de mulheres que fizeram história, em diversos campos da sociedade ou das artes, reclamando para si os louros da sua audácia e inspirando quem as conheceu na altura e quem hoje em dia as vai (re)conhecendo de outra forma. 
Uma coisa é certa, e saída destas leituras - parece-me que dantes era um tempo mais ousado e que hoje somos mais conservadores, malgrado os anos 60 e 70, a geração dos movimentos de libertação e (liberização) sexual e o afastamento de códigos mais rígidos de conduta pessoal. Qual a razão desta conclusão? Bem, ao ler estas histórias femininas, constata-se que havia muito adultério, muita bissexualidade (e homo) e muito mas muito "mènage à trois". E coleções de amantes consideráveis, claro. Todas estas mulheres estiveram muito à frente do tempo nestes parâmetros de existência afetiva, marital ou familiar. Todas desafiaram convenções da época - e que não estão assim tão diluídas como isso atualmente - e viveram sob padrões não isentos de escândalos que, no entanto, não deixaram de as fazer prosseguir, viver livremente e, depois, eternizar-se. 
Se pensar nas famosas de hoje em dia, a quantidade maior residirá na cultura pop e também no cinema, assim à primeira abordagem. E, curiosamente, apesar de serem mundos de desafio ao normal quotidiano, parece-me que se pautam por um maior conservadorismo a nível das relações amorosas e da estrutura familiar, tendo em conta a projeção que se faz das suas histórias. Ou estamos todos mais familiarizados com o atrevimento e com escândalos de vária ordem ou o feminismo, e as suas conquistas em várias frentes, é responsável por uma maior exigência no que diz respeito ao modo como nós, mulheres, queremos viver. Teremos mais liberdade de escolha, independência financeira, e isso já faz bastante (ou toda a) diferença.
Também é possível que a incrível ousadia destas mulheres residisse no facto de, em tempos diferentes, terem atravessado dificuldades várias até ao triunfo, ou à fama. A necessidade é, de facto, mãe de muitas coisas e estas mulheres enfrentaram obstáculos variados que as fizeram querer alcançar sempre mais, por uma questão de orgulho, muitas delas, brio pessoal, vontade de vencer e sair de um destino que não lhes fora favorável no início. Demonstraram, desta forma, um espírito incrível, de sobrevivência, força e astúcia, frequentemente também. Não são heroínas boazinhas que estão em casa de forma passiva, são sobreviventes e exploradoras do seu caminho, inteligentes e ambiciosas. Muitas vezes, triunfam mesmo sobre as suas origens.
A audácia foi muita e o seu legado, diferente mas igualmente perpetuado no tempo, aí está. Amaram demais - homens, projetos e, atrevo-me a dizer, também, elas próprias porque a sua vontade foi sempre maior do que o resto. Quando chegar ao fim do livro provavelmente direi mais umas coisas. Para já, estou a amar demais ler sobre elas.