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julho 27, 2014

Bancos londrinos

Não se trata de alta finança, trata-se de literacia e literatura espalhadas pela cidade de Londres, como forma de aliciar para a leitura e para o conhecimento que a mesma proporciona. Desta forma, o projeto Books about Town traz para a capital britânica a ilustração de 50 livros em bancos da cidade. Aqui ficam alguns exemplos de uma fantástica ideia.







"A collaboration between the National Literacy Trust and Wild in Art, the BookBenches feature stories linked to London. (...) Visitors can discover the BookBenches by following literary trails in Greenwich, City of London, Riverside and Bloomsbury, until mid-September."

Mais, aqui.

setembro 29, 2012

Naturalmente Maori


Nova Zelândia


                         


A Nova Zelândia, como pôde ser visto nos filmes “O Senhor dos Anéis” e “O Piano” de Jane Campion, tem paisagens absolutamente diversas e fascinantes. Bem lá em baixo (down under), esperam-nos umas boas horas de avião para avistar esta ilha de contornes únicos. Estamos perante um país moderno, democrático (foi o primeiro país a dar o voto às mulheres, por exemplo), progressista. A sua população parece viver em harmonia, combinando-se a cultura branca (originaria e maioritariamente anglo-saxónica) com a cultura nativa. Os Maoris participam ativamente em diferentes áreas da sociedade da Nova Zelândia.
                                      
Os primeiros encontros entre europeus e Maoris nem sempre foram pacíficos. Os exploradores Tasman e Cook tiveram, de resto experiências muito diferentes. Ao longo do tempo os Maori foram sofrendo com as guerras e epidemias e não só perderam população como lhes foi confiscada terra.
Atualmente, e desde umas décadas a esta parte, há uma reabilitação da sua cultura, reconhecendo-se não só a sua importância histórica como a sua criatividade nos campos da dança, música, escultura, canto e outras manifestações artísticas. De qualquer forma, permanecem ainda algumas diferenças económicas e sociais entre este grupo e outras etnias. 
                                                                                             
Jornal O Recado, ESAP

abril 23, 2012

Pegar o touro pelo cabo

Cabo Horn, CHILE

Situado no arquipélago da Terra do Fogo, este  tem sido outro cabo das tormentas para marinheiros e navegadores que desde sempre atravessaram mares e oceanos. De tal forma tem feito parte dessa cultura de mar que a literatura e também o cinema lhe têm dado algum destaque.
No filme “The Bounty” (Revolta na Bounty, Revolta no Pacífico, dependendo das versões) vemos como a travessia do cabo Horn constituiu uma dura provação para a tripulação, a cumprir a rota Inglaterra-Taiti. Também Charles Darwin, navegando no Beagle, expedição que levaria à Origem das Espécies, escreveu no diário de bordo sobre as águas perigosas do cabo.
Este é considerado o ponto mais a sul do continente sul-americano.  A origem do nome  Tierra del Fuego, em espanhol naturalmente, deriva do explorador português Magalhães já que, navegando para a coroa espanhola, foi o primeiro europeu a a visitar tais paragens. Para os amantes das epopeias dos mares, o Cabo de Hornos é, sem dúvida,  uma referência quer histórica quer geográfica.


O Recado, ESAP, 2008/09 

março 15, 2012

Esta terra (não) é minha

 República da Irlanda

 

Para muitos um filme como “Gladiador”, por exemplo, poderá ser considerado violento. Não é a minha opinião. Porque muito mais dolorosa do que a violência física na tela, será a opressão psicológica presente em várias longa-metragens, como, por exemplo,The Field, dirigido por Jim Sheridan. Trata-se de um filme que ilustra uma Irlanda profundamente rural e anacrónica, avessa ao progresso e muito patriarcal.
A relação de domínio que McCabe (interpretado por Richard Harris) exerce sobre o seu filho é absolutamente castradora, tolhendo-o e incapacitando-o para qualquer laivo de vontade e vida própria. Há um toque animalesco em Tadgh (Sean Bean), como reflexo da ideia de paixões primárias que obviamente perpassa no filme. Torna-se ora odioso ora tocante ora penoso acompanhar a evolução da sua personagem. O resultado só podia ser a tragédia.
Este é também um filme sobre a terra e os milenares e inevitáveis conflitos que o apego a ela podem criar. A paisagem irlandesa, com muita chuva e lama à mistura, contribui, de resto, para a criação dessa atmosfera intempestiva, de emoções passionais, desabrigadas. Os rostos dos aldeões, de resto,  rígidos e assustadoramente fora do tempo, enfatizam a ideia de dureza, desabandono e fechada insularidade que caracteriza esta perturbante história.
O Recado, ESAP, Maio 2009 (pré AO)

março 09, 2012

Contos feitos a pincel



Bélgica

Os quadros de Pieter Bruegel, O Velho parecem estar a contar uma história. Não espantaria se ilustrassem contos para crianças. Uma das suas obras intitula-se mesmo Children´s Games. Pela mistura de cores e pelos elementos naturais, surgem quadros a lembrar postais, alguns mesmo algo oníricos, mas na sua maioria pincelados com perceptíveis nuances de realismo. Há depois obras com motivos de cariz mais religioso, mas ainda assim com uma clara abordagem paisagística.
Bruegel nasceu em 1525 e morreu em 1569 (em Bruxelas), sem se saber exactamente a cidade onde nasceu - na Bélgica ou na Holanda, permanece a dúvida. Ficou ainda assim com a nacionalidade flamenga. É apelidado de Bruegel Camponês (Peasant Bruegel), para o distinguirem dos outros membros da família Bruegel que também foram pintores, inclusivamente os seus filhos.
Tal cognome também se deve ao facto de pintar aspectos da vida quotidiana do seu tempo, particularmente ligados ao campo.

O Recado, ESAP, Dezembro 2008 (pré AO)

fevereiro 21, 2012

Parisien du Nord

França

Do álbum Meli Meli, um tema Rai cantado por Cheb Mami, e pelo rapper K-Mel. Cheb Mami faz parte de um conjunto de bem-sucedidos cantores de origem argelina que conseguiu grande sucesso em terras gaulesas. Primeiramente entre as comunidades imigrantes do Magrebe, mas depois também apreciados pela restante sociedade francesa.
Cheb Khaled e Cheb Faudel ( a palavra cheb significa jovem) são outros nomes de vulto, embora de idade algo díspar, sendo o primeiro apelidado de “rei”, que fizeram do Rai um estilo de música popular mas também erudito, dependendo da perspectiva, nomeadamente geográfica.
Rai significa “opinião”. Na Argélia, de onde é oriundo, este estilo causou controvérsia nos sectores mais tradicionalistas  pelas letras arejadas que continha e pelo estilo de vida mais moderno e descontraído a que apelava. Vídeos de Khaled foram claramente mal vistos e Cheb Hosni foi, de resto assassinado, daí que outros cantores se tenham exilado em França.
Há alguns anos atrás, Sting  lançou  Desert Rose. Nesta composição fantástica, aparecia uma voz magrebina que dava um toque profundamente exótico mas também espiritual ao tema. Estava lançada a carreira “internacional” de Cheb Mami. Meli Meli e Dellali são dois CDs a ouvir, para quem gosta de estilos mais étnicos, mas também para quem não conhece. K-Mel é um rapper nascido nos subúrbios de Paris e ascendência também argelina.
Entre o árabe e o francês, aqui fica a sugestão:   Parisien du Nord

                                                                                                                                ESAP, 2009 (pré AO)