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outubro 08, 2014

Rapidíssimas

 
 
1. Não compreendo, por mais que me esforce, como é que o Ministro da Educação ainda não apresentou a demissão. Ou como é possível que não o tenham feito por ele.
 
2. Eu até achava piada ao Zeinal Bava por ser exótico. Fez asneira, pelos vistos, não pequena, pelos vistos. Ouvi hoje que se demitiu. Sempre tem mais caráter - vergonha? - do que o de cima, apesar dos pesares.
 
3. Os raides aéreos parecem não estar a resultar no Estado Islâmico. Razão tinha quem disse que essa não seria a solução ideal (embora eu não saiba qual é, já agora e infelizmente).
 
4. Ontem assustei-me a sério com as informações sobre o ébola. Isto sim, devia e deve preocupar a humanidade. Se em vez de desunirmos e destruirmos construíssemos unidos...
 
5. Seja em que partido for e seja que nome for, prefiro alguém que me diga que é prematuro dizê-lo do que alguém que promete não baixar impostos. Primeiro a honestidade, em último a demagogia.
 
6. Outono verão, outono inverno, outono verão, outono inverno... Mas o que eu queria mesmo era o verão verão. Que saudades do sul. A sul é-se sempre mais feliz. Talvez me mude..

setembro 17, 2014

Coisas sem relação absolutamente nenhuma



1. Toda a gente tem direito a mudar de opinião, creio, e não sou contra as dissidências, são decisões pessoais que podem ter justificação plausível ... ou não. Mas a saída de Marinho Pinto de um partido que pouco tempo antes o levou até ao centro político europeu parece-me francamente desonesta. O dizer que é tempo de seguir o seu próprio caminho ainda corrobora mais esta abordagem que diria interesseira. Mas na verdade não me surpreende. Trata-se de uma figura que nunca me inspirou confiança, talvez porque não aprecio quem habitualmente fala em tom exaltado e quase aos gritos. 

2. Este ano a relva cá de casa mantém-se viçosa como uma verdadeira alface. Assim que me lembre, foi a primeira vez em que não se andou desesperadamente a regar pela noitinha para tentar salvá-la de uma morte certa. Eu que nem sou fã de chuva consigo ver o seu lado positivo quando automaticamente penso na relva da frente e do pátio. Mas nem só de relva verdejante vive o meu apreço pela chuva nestes dias. O calor tem-me sufocado e a coisa melhora com a água caidinha do céu. Por outro lado, poucos sons sabem tão bem como o de ouvir uma grande chuvada quando se chega a casa. 

3. Faltam tantos professores ainda nas escolas e os alunos lá vagueiam, horas a fio, sem aulas. Quando é que a obsessão pelos cortes e a sua prática indiscriminada na função pública deixará de ser uma realidade que tanto afeta a vida escolar também dos alunos? Nos cursos profissionais acresce o problema de ter de se repor as aulas, uma vez que é obrigatório o volume de formação na totalidade, e bem, a bem dos alunos. Mas também não será uma injustiça os alunos vaguearem agora, contrariados, em tempo certo de aulas, e depois terem de levar com horas a mais numa já de si pesada carga horária, para compensar?

4. De férias a sul, comprovei novamente que os portugueses estão cada vez mais fechados. Têm muitas dificuldades - ou pruridos - em falar para desconhecidos. Para se lhes arrancar um bom dia ou boa tarde num espaço que se partilha é obra. Eu, que sou daquelas que, por exemplo, falo alegremente numa caixa de supermercado se houver alguém que sorria e faça o mesmo, estranho estas coisas. Então quando os nossos filhos brincam em conjunto e tento conversar um pouco e vejo caras fechadas - snobs? - fico mesmo desapontada com a raça humana. Há gente para quem deve ser difícil sorrir e dizer umas palavrinhas, nem que seja sobre o tempo. Timidez ou mania e falta de boas maneiras? 

junho 04, 2014

Das determinações


Tenho andado quase completamente arredada da atualidade mas hoje lá me vi a ver e ouvir uma notícia ou outra na informação da noite, a saber, a guerra interna no PS, o cancelamento da viagem para o Brasil do PM por causa do TC, a realeza espanhola a mudar de coroa e pouco mais. Porém, também vi o início, só o início, porque depois desliguei, quer a televisão, quer da atualidade, uma realidade dos meus dias, voluntária e não voluntária, vi o inicio, dizia, de um discurso, entrevista, fosse lá o que fosse, do PM a dizer o seguinte: "A maioria do povo português aprecia a determinação" das nossas políticas ou coisa parecida nesta parte sem aspas. Aprecia ou tem apreciado, já nem me lembro bem, mas dá no mesmo. Aprecia? Declaro já que não estou incluída nesta maioria, não quando, apesar de alguma paciência e zen desconhecimento de questões económicas, não quando, repito, me encontro congelada desde há 10 anos, não quando tenho passado um ano escolar infernal (eu e outros), não quando o meu salário está a mingar volta e não volta, mas com voltas mesmo rápidas, ao melhor estilo rossi, e a voltar, lá está, ao tempo em que era bem mais nova, trabalhava em melhores condições e ainda podia fazer planos, não quando me fartei de ser pacífica, briosa e paciente, profundamente idiota, na verdade. Determinação? Só pode ser uma brincadeira, é mundial, ninguém levaria a mal. Determinação, a meu ver, só pode ser uma: a autodeterminação, rápida e definitiva, que signifique fugir deste PM e restante troupe que não apreciamos. Ou que não aprecio, já que posso estar em minoria.

maio 26, 2014

As eleições vistas por quem pouco sabe mas vai opinando


Vencedora absoluta : abstenção. É um direito, claro, mas depois não se queixem. Já estou quase como o Miguel Sousa Tavares dizia hoje, ao comentar a mesma: quem não vota porque não quer, porque não acredita no sistema e na democracia, talvez devesse não beneficiar em nada dela... O que se pretende, afinal? É certo que o desencanto é muito, tal facto é por demais compreensível, mas a solução não (me) parece ser por aí.
Perdedor maior: Aliança de Portugal. Um valente cartão vermelho a quem nos governa, sem mais nem menos. Pudera, com o desânimo e revolta que por aí vemos e sentimos, e que nós próprios sentimos, seria de espantar que acontecesse o contrário. Haja coerência.
Vencedor maior: CDU. Pode beneficiar da abstenção, porque os seus militantes não falham, é verdade, mas não deixa de ser um reforço, que significa, certamente, alguma coisa. Ou muita.
Ganhador mas não para ser governo: Partido Socialista. Vitória em números mas ao mesmo tempo derrota em números, porque derrota na intenção de que nos governem. Está clara, assim parece, a falta de alternativa viável para as próximas legislativas.
Perdedor médio: Bloco de Esquerda. Médio a fugir para o grande. Este resultado já vem na sequência dos anteriores, e que foi agravado, a meu ver, como simples cidadã, com a liderança repartida que Francisco Louçã defendeu na saída. Volto a dizer aqui que ver a Catarina Martins a liderar é para mim uma aflição, não tendo perfil absolutamente nenhum para ocupar tal lugar. Ela e João Semedo serão com certeza pessoas de boas intenções mas não chega, claramente. (Com todo o respeito que o seu pai também me merece, trabalhei com ele na José Estêvão há uns bons anos, quando ele era presidente do conselho executivo na altura.) 
Vencedor assim assim e a quem não reconheço muito mais do que um discurso fácil ainda que corajoso: Marinho Pinto, ao serviço de qual partido mesmo? Não me identifico com o estilo, mas ainda assim acho uma certa graça ir para Bruxelas e ser politicamente incorreto, a ver vamos no que a irreverência dará.
Para concluir, destaco dois aspetos que liguei entre si. As más lideranças podem ser feitas feitas de más intenções mas também de boas, é um facto. Ou seja, não são suficientes as pessoas boas, é preciso ser-se competente. E isto serve para a política e para tudo. Muitas vezes temos pessoas muito queridas e apreciadas pela sua bondade mas falta-lhes profissionalismo, visão e inspiração. Ora isto, a ausência de inspiração nas figuras políticas, leva-nos ao descrédito cada vez maior em relação à classe, agravada depois pelas más práticas, corrupção e mais do mesmo ou parecido. Desta forma, sem figuras que nos inspirem e nos levem a acreditar que é possível, aliando humanismo e pragmatismo, honestidade e competência, haverá menos e menos gente com vontade de se deslocar às urnas. E volta-se ao princípio e não saímos daqui. A coisa, resumindo, está feia.


abril 23, 2014

A memória dos quarenta

Como não terei tempo para muito mais até lá, aqui fica em mosaico a revolução que se fez e que mudou os nossos dias. Não adianta retirarem-lhe significado pelo que podia ter acontecido a seguir e pelo que tem acontecido entretanto. A coragem emergiu, o silêncio quebrou-se, a noite iluminou-se. Não é, e para que definitivamente se entranhe, nada pouco. 



abril 14, 2014

Controverso




1. Não é possível fazer calar os capitães de abril ou não ter interesse no que dizem. Simplesmente porque ainda vivem e carregam na memória os dias antes e depois. E nós temos que lhes estar gratos, mesmo quem não soube o que era o antes e é livre desde que nasceu. Precisamente por isso, esses, nós, temos que lhes estar agradecidos por terem mudado o curso da nossa história e dos nossos dias. Não faço ideia se há espaço para falarem na assembleia ou não, mas se não houver devia haver. Os intervenientes na história na sua forma mais direta estão vivos, repito, o acontecimento é recente - o que são 40 anos na linha do tempo?- e esquecê-los neste dia é uma profunda forma de ingratidão. Se o esquecimento acaba por ser natural com a passagem do tempo, quando as gerações que vivem certos acontecimentos dão lugar a outras, aqui ainda não. Não é possível esquecê-los, ainda, e ignorá-los. A nossa humildade, enquanto povo, em reconhecer a sua coragem e importância devia ser muito maior. Devia existir, simplesmente. 


2. A remota possibilidade (será?) de Durão Barroso se candidatar à presidência da república deixa-me quase em estado crítico. Não lhe reconheço nenhum mérito nem possui qualquer envergadura moral ou intelectual para desempenhar este cargo. Quando discursa parece-me sempre artificial, como se estivesse a posar para uma fotografia, à espera de causar algum tipo de impacto. Desconheço se na vida quotidiana é um tipo simples, honesto e com qualidades várias, pode ser que sim, claro. Mas politicamente é um desastre, compactuou na invasão do Iraque, não me parece ter espinha dorsal para dizer não e seria anedótico tê-lo a representar-me. Mas enfim, tudo é possível, sobretudo dar-se muita importância e valor histórico a quem não o merece e desvalorizar-se quem a ele tem o máximo direito.

março 25, 2014

Referendar ou não


Já me assaltou algumas vezes a ideia de que o referendo, em sentido lato, se assim se pode dizer, não pode ser apenas apreciado quando isso a nós nos convém, a quem vota e elege, e que não pode ser apenas aplicado quando isso lhes convém, a eles, aos governantes. Ou seja, às vezes é mau, às vezes é bom, para um ou outro lado. Percebendo pouco ou nada acerca disto, parece-me que referendar é uma forma absoluta de poder e decisão populares, a mais pura, provavelmente, embora contenha riscos qualquer decisão nas mãos do povo, é certo, se lhe faltar informação, sensibilidade e sensatez; da mesma forma, riscos também há quando são outros, os ditos representantes, a decidir por nós, porque podemos não nos identificar com tudo o que decidem mesmo tendo votado em quem lá estará na altura. Disciplina de voto não existe na minha cabeça. Posto isto, nada contra os referendos, prefiro ser tida e achada a não ser, mas, lá está, depende do resultado, se me agrada ou não, sobretudo se interferir com a minha vida diretamente. E comigo estarão outros, os que vão às urnas e os eleitos pelo voto. 

janeiro 17, 2014

Território sem dono


Isto não é politicamente correto nem idealista, na verdade estou a cansar-me da visão idílica das coisas e da dicotomia esquerda/direita e da forma como ela condiciona a visão dessas mesmas coisas. Por isso, aqui vai.
A igualdade absoluta nunca será uma realidade. Ilude-se quem assim pensa, é um mito. A igualdade de oportunidades, sim, é possível, tem de ser possível. Defendo-a e considero-a essencial e um direito inalienável de qualquer ser humano. Mas o que se fará com ela nunca será igual. Pois diferentes são aqueles que de circunstâncias iguais podem partir. Não existem apenas bons caráteres, boas escolhas, bons caminhos e boas ideias. Experimente-se dar uma quantia exorbitante a dois indivíduos e dê-se um prazo de algum tempo, um tempo considerável, para ver o que fazem com ela. Poderão vir com resultados completamente diferentes. Da mesma forma, veja-se o que fazem dois indivíduos com a mesma instrução, o mesmo grau de escolaridade. O percurso e o sucesso poderão ser completamente diferentes. Arranje-se duas famílias completamente estruturadas, em termos afetivos e financeiros. Os seus filhos poderão evoluir de formas completamente díspares. Há uma coisa subjacente à natureza dos seres humanos, que é a atração pelo abismo. Nenhuma sociedade será perfeita um dia e mesmo se o fosse não seria nem será garante nenhum contra a natureza de cada um e as más apostas que possam fazer. O perigo e o desvio farão sempre parte da existência. Termino dizendo que não gosto da direita quando contribui para o apartheid de oportunidades, mantendo as elites e sacrificando os outros. E não gosto da esquerda utópica que sonha com o impossível, partindo do pressuposto que a igualdade total é alcançável. Posto isto, espero escrever pouquíssimo sobre política (e, vou tentar, sobre educação) doravante aqui no AE. Ou se porventura prevaricar e escrever será, como sempre, de acordo com o prisma pessoal, segundo o que penso, observo e absorvo. Sou, e assim quero manter-me, um país livre.

janeiro 09, 2014

Entregues


Na altura achei bem ser uma mulher a tornar-se a figura número 2 do estado português, mesmo não sendo eu da cor política que ela representa. Sim, porque apesar de tanta igualdade na lei, a mulher em Portugal é pouco tida e achada em posições de governação e altas chefias estatais. Também parecia ser - e pode ser - uma figura simpática, de sorriso fácil, contrapondo-se ao cinzentismo rígido e algo anacrónico da figura número 1 do país. Tem, no entanto, caído em algum descrédito, e de forma frequente, com frases infelizes, pretensamente cultas mas, na verdade, profundamente ridículas. Desta forma, esta loura, a fazer jus ao injusto epíteto ligado à cor do cabelo, poderá ser mais do que distraída. E assim sendo, e pior, as figuras número 1 e 2 não são nada abonatórias em relação a pensamento e, sobretudo, comunicação inteligente e sensata. Ou em relação a eficácia governativa. Na verdade, desta forma e assim sendo, estamos mais do que entregues à bicharada. 

dezembro 01, 2013

Obviamente, indemnize-se!




Não vou dissertar sobre a prova dos docentes porque não me apetece. Havia muita coisa a dizer e não me apetece. Mesmo. Mas li algumas coisas sobre a mesma que me desagradaram. Este comentário que transcrevo abaixo é um entre muitos que vi em caixas de comentários online que, estupidamente, ainda me ponho a ler.

"Se um professor chumbar o Ministério deve indemnizar os pais dos alunos pelos danos causados pela contratação indevida de pessoal não qualificado para a profissão."

Duas coisas apenas. Primeira - eu também exijo indemnização, como professora, funcionária pública e cidadã, pelos danos que me têm vindo a ser causados pela(s) eleição(ões) indevida(s) de pessoal não qualificado para a profissão de governantes e políticos.  Segunda - como mãe de um aluno prejudicado, no presente e no futuro, por turmas enormes e por outras manobras governativas que tresandam a incompetência e desconhecimento do terreno, também exijo indemnização. 

E há mais outra coisa, afinal. Defendo uma prova para todas as profissões, políticos e governantes incluídos. Em 120 minutos devem provar o que (não) valem.

novembro 15, 2013

Contente descontentamento


Ontem, enquanto via o telejornal, animei-me momentaneamente quando me foi dito que agora vão começar a distribuir ouro pela população (não gosto de ouro, já agora, mas trocava-o logo logo, vendia-o logo logo, e fazia imensas coisas com ele). Esta resposta que me animou tinha a ver com a minha super sorridente e tonta pergunta: ai sim, saímos da recessão? e agora? o que é que isso significa para nós? vão melhorar as coisas? - enquanto via e ouvia (e lia em rodapé) a notícia da noite (terá sido a do dia, também?). Reparando que a ironia brincalhona era apenas isso mesmo, pergunto a outros, já hoje, na esperança de recuperar a alegria: saímos mesmo da recessão? e agora? já está a acontecer alguma coisa? em concreto? já posso fazer um sem número de coisas que os cortes no salário, congelamento desde 2004, iva, roubo dos subsídios, etc e tal, não me deixaram fazer? Sem falar em quem está pior, muito pior, já no limite da sobrevivência. Bom, digam-me, há alguma coisa que eu já deveria estar a sentir, efetivamente? Sintomas da saída da recessão já esta manhã? Coisas concretas? Hmmm, não? No meu caso, não? Hmm, bem me parecia. Era então um contentamento descontente, porque palerma e apressado, bem me parecia, outra vez. Foi apenas um contente momento porque o descontentamento, esse, parece que não me abandona. A recessão é uma coisa má e a saída é uma coisa boa, deve ser, mas só quando na prática começar a ver aparecerem coisas (na verdade ressurgirem, uma vez que foram tiradas, e sem permissão) que fui vendo desaparecerem. Entre elas o contentamento contente de ver quem trabalha, há anos e anos, compensado por isso. E o resto que daí advém. 

novembro 08, 2013

Civismo e inspiração


Um mini-regresso já hoje para dizer apenas uma coisa: a rejeição do que Margarida Rebelo Pinto disse numa entrevista na televisão - que não vi mas da qual tive conhecimento por causa da rábula feita por Bruno Nogueira a esta figura da literatura light (epíteto não meu ainda que concorde). Disse a mesma que fazer manifestações nesta altura, presumo, dado não saber se o pensa em relação a anteriores, demonstra falta de civismo e um desrespeito pelo trabalho dos governantes. Podia ser irónica e até sarcástica, porque também o consigo, mas calmamente digo apenas que a mim, pessoalmente, me espanta é haver tanto civismo por parte de todos nós. Na verdade, temos reagido da forma mais pacífica possível, tendo em conta o agravamento das condições de vida, de trabalho e demais retrocessos em vários aspetos da sociedade em geral. Tem havido, como sabemos, reações muito mais acaloradas e explosivas noutros locais do globo, e mesmo na cívica Europa reações então muito pouco cívicas, sendo assim colocada a questão. 
Pessoalmente não me tenho identificado muito com o estilo das manifestações mas considero-as uma muito boa e legítima forma de se mostrar descontentamento e com um significado que dirá muito e poderá ainda fazer mais. Porque não me identifico eu com a forma como as manifestações são levadas a cabo, isto se estiver lá dentro e não apenas a olhar de fora? Porque nas que já participei concluí que foi - é? - muito superficial a maneira como os manifestantes encararam a coisa - pelo menos os que pude observar. Dizem-se piadas, fala-se de trivialidades, reúnem-se pessoas que não se viam há muito e tenta mostrar-se que apesar de tudo se está muito bem disposto e que se está a triunfar de alguma maneira individualmente. Não há profundidade, não há reflexão e, sobretudo, não há silêncio e consternação. Sim, para mim as manifestações deviam ter qualquer coisa de funeral, mostrar-se que não se trata de uma festa e de um passeio a não sei onde mas sim de um momento de tomada de consciência coletiva e que envolve alguma dor, desencanto e revolta pelo estado das coisas. Obviamente que haverá e há decerto exceções mas naquelas a que fui houve, frequentemente, um sentimento de não pertença a uma forma de protesto que gostaria de ver encarado de uma forma diferente. Poderá argumentar-se que a revolta necessita da exteriorização de sentimentos e da capacidade argumentativa dos manifestantes, da luta. Certíssimo. Isso vejo em quem as lidera, realmente,  mas não em quem está lá dentro, nos anónimos (e infelizmente conhecidos a fazer paródia). São demasiado levianas (até tímidas, pode ser, no confronto com a verdade que elas significam), demasiado levianas, repito, as coisas que se dizem nesses momentos. Mas isto sou eu e as manifestações onde estive e com as quais não me identifiquei. Repudiá-las, impossível, pelo contrário, e acusar os manifestantes de falta de civismo é de uma insensibilidade social para além do razoável. Se há erro nas manifestações, nestas circunstâncias de revolta social, é que são ou demasiado mornas ou demasiado festivaleiras. Como disse acima, não concebo o ato da manifestação sem consternação nem seriedade. Também não defendo a violência, é um facto, embora não me surpreenda quando certas situações são levadas ao limite. No fundo, sonho com manifestações ao estilo marcha sobre Washington ou mesmo a non-violent non-cooperation de Gandhi, daquilo que vi e penso saber sobre elas. O silêncio e a profundidade são uma inspiração que deve acompanhar a indignação. E mais do que palavras de ordem precisamos de inspiração. O que não retira em nada do que disse sobre o total repúdio acerca da falta de civismo dos portugueses dita pela MRP. (Discordo de tudo o que disse, de resto.) Falta-nos inspiração, sem dúvida, mas já não nos falta civismo. Aqui, sinceramente, até o estamos a ter em demasia.


(Todas as imagens do AE são tiradas do Google - ou do FB. Espero não repetir nenhuma mas é bem possível.)

outubro 22, 2013

Correto e incorreto




1. A entrevista de Sócrates ao Expresso e a linguagem que utilizou não são a forma correta de estar, na política ou em lado nenhum. As palavras deviam - devem - ser mais contidas e não proferidas como o intuito de incendiar as hostes. Contudo, também me fizeram soltar umas gargalhadas - como o politicamente incorreto e os enfants terribles, muitas vezes, o conseguem.

2. Por falar em palavras com o tom certo - e o conteúdo, já agora - apreciei bastante a entrevista dada na SIC pelo novo presidente da câmara do Porto. Como não o conhecia antes, nada sei dele a não ser o que vejo agora. E, francamente, gosto. Parece-me inspirador, inteligente e sereno, longe dos tons inflamados que caraterizam muitos autarcas por aí. A política precisa de pessoas assim: independentes de espírito e fortes. Livres, pareceu-me.

3. Aqui há tempos tinha falado aqui da hipocrisia da lei portuguesa que não permite a adoção por parte de casais homossexuais mas que permite a adoção por homens solteiros (ou mulheres) que o possam ser. Ao casar-se esta semana uma figura portuguesa (parabéns, de resto) com uma pessoa do mesmo sexo, sabendo que essa figura adotou uma criança, a questão mantém-se. São um casal, agora. E a lei, concorde-se ou não com ela, não pode fazer diferenças, na prática, entre uns e outros.

4. Continuam a ser notícia diariamente histórias de choque de abusos sexuais dentro da família. Vêm muitas ao de cima nos media e vamos sabendo de outras nas escolas. Espanta-me este horror camuflado, abafado, escondido durante tempo demais para quem é vítima. Espanta-me a conivência de algumas mães - ou o silêncio porque, muitas vezes, o padrasto é um companheiro jovem e os prazeres da carne e a vaidade pessoal levam a melhor sobre o amor aos filhos. E espanta-me a leveza das penas. Circulam livremente muitos que já cometeram crimes. E voltam a cometer. Pudera, o crime até compensa.

outubro 11, 2013

Muro das lamentações


Não se percebe como dizem haver funcionários públicos a mais - e, neste caso, professores -, como, dessa forma, são dispensados milhares e como, a seguir, se aumenta a carga horária semanal.

Não se percebe como a avaliação dos docentes tão apregoada para premiar o mérito não tem valor absolutamente nenhum; há quem tenha trabalhado muito e muito bem, de forma excelente, na verdade, e tenha no ano a seguir ido parar a 400 kms longe de casa.

Não se percebe como trabalhando cada vez mais, em condições cada vez mais adversas, se ganha cada vez menos. Mais uma tesourada de 10%, mais outra no subsídio de refeição e outra no valor cobrado para a assistência médica. Daqui a pouco estamos de volta ao início da carreira.

Não se percebe como a almejada qualidade do ensino se pode alicerçar na completa desresponsabilização dos alunos, nomeadamente recuperação de faltas sem justificativa válida, na exigência de metas de sucesso praticamente a 100%, nas trocas e baldrocas sistemáticas na legislação e consequentemente nas práticas educativas, nas turmas de 30 alunos ou maiores ainda (sim, nas línguas, isto existe) e em muito mais.

Percebe-se, contudo e como resultado, o estafanço e desânimo que já se fazem sentir nas escolas, pouco naturais para inícios de outubro.

Não se percebe, já agora, como ainda aguentamos. Não se percebe, para mais, como a paciência ainda não se esgotou completamente. Mas percebe-se, é um facto, que já faltou mais.


(Não querendo tornar, apesar de tudo, este blogue num queixume profissional constante, cá fica mais um post tocado pela maré da revolta na esperança de que algum jornalista por aqui passe e possa, com mais uma gota, dar eco do mar de adversidades em que andamos mergulhados.)

outubro 07, 2013

Ou uma ou outra ou até nenhuma

             

É curioso ver como o PSD é um partido onde há frequentemente fortes lutas internas e posições vindas de dentro que são autênticas oposições. Antes de criticarmos ou celebrarmos, vale a pena saber qual das duas análises seguintes será a verdadeira. Ou isto significa que a luta pelo poder é feroz, que os barões e as elites não brincam em serviço, que os egos são bem maiores do que o coletivo, que a noção de lealdade lhes passa ao lado ou significa isto que aqui há uma clara independência que não se vê noutros partidos, que as ideias individuais ainda contam, que não existe o culto da personalidade, nomeadamente do líder, que há maior liberdade em discordar sem a obediência cega de outros. Ora após isto, cada um que escolha a verdade que lhe convier e que o faça mais feliz. É possível que haja verdade até nas duas. Ou, não percebendo eu nadinha disto, que não haja verdade nenhuma. 

setembro 30, 2013

O mau estado da nação


Não vi a noite eleitoral de forma completa porque tive de preparar o jantar, arrumar a cozinha, deitar o pequeno e depois preparar aulas. À segunda começo logo ao primeiro tempo, aliás como quase sempre. Estive na escola desde cedo, ocupada entre aulas, contactos com encarregados de educação, papelada administrativa das 2 direções de turma, e agora vim ver os resultados e a informação disponibilizada online sobre a matéria. Sou uma leiga nestes assuntos mas como sou livre e estou na minha casa, aqui ficam as minhas primeiras impressões a propósito das autárquicas e do que li por aqui na internet.

1- metade do país não foi a votos. É uma brutal abstenção e contribui negativamente para o exercício da cidadania responsável e da democracia, que não é perfeita, mas que nos deixa participar em momentos como estes. Falamos à boca cheia das ditaduras que vão por aí mundo fora, dos direitos violados, de vários tipos de opressão, mas depois quando temos a possibilidade - e a liberdade - de opinar, de marcar uma posição, de mudar os acontecimentos, que fazemos? Ignoramos, chutamos para canto. O que se espera com este comportamento? Dizer que espelha o descontentamento e desilusão com a política? Possível, mas e qual é a solução, então?  Não vamos lá desta forma, parece-me. E espanta-me mais ainda porque diz respeito a aspetos diretamente relacionados com o local onde vivemos, com a qualidade de vida ou não que também passa pelas práticas do poder local. Não sei se compreendo esta indiferença, esta forma de protesto ( a sê-lo, duvido).

2- não foi a votos e, pior, o país pôs-se a ver o reality show que considero inenarrável e que, infelizmente, inicia mais uma temporada. Como pode uma nação abster-se de se interessar pela organização da sua vida pública e quotidiana? Como pode um povo afundar a sua responsabilidade civil em programas de duvidosa qualidade que são o oposto de modelos de conduta para toda uma geração? Como podem, depois, estas pessoas ousar reclamar, pedir, queixar-se, quando o exercício de uma consciência coletiva e individual lhes passa completamente ao lado? Tenho sentido de humor e nada tenho contra o entretenimento. Contra o bom entretenimento, que eleva o espírito e que desperta o melhor das pessoas. Que nos faz rir, descomprimir e soltar os nossos demónios. Já não compactuo com a vulgaridade, a boçalidade, a estupidez, a burrice, o despudor descarado propositadamente ostensivo (e ofensivo?). Triste país este que promove estes paradigmas da inversão de valores e prioridades.

3- temos um novo mapa cor-de-rosa, na grande maioria das localidades. Não deixa de ser um cartão amarelo, amarelíssimo, ao eixo governativo. Sabemos que em questões autárquicas, por vezes são os nomes, as figuras e o seu bom trabalho (ou mau) que arrastam os votantes. Terá ainda acontecido desta forma em muitas localidades. Mas não deixa de significar uma amostra da insatisfação crescente com os governantes. O descrédito atual dos partidos também se revela através dos independentes e das suas surpreendentes vitórias. Pessoalmente, penso que o slogan do Porto estava extraordinariamente bem conseguido. O partido é o Porto, e veja-se no que deu. O futuro virá e dirá, mas não deixa de transparecer a vontade de dar um pontapé na política mais alinhada e sectarista. Ainda não vi nem li a reação do PM sobre estes resultados. Quanto à CDU, reforçou-se e o BE quase... desaparece? Neste, não aprecio a liderança bicéfala e considero a Catarina Martins (com cujo pai já trabalhei numa escola) uma fraca escolha. 

Para onde vais? Eleições autárquicas. Donde vens? Eleições autárquicas. Donde vens? De um país com muitos problemas. Para onde vais? Para um país com muitos problemas...

setembro 20, 2013

O partido não é devido


Às vezes, muitas vezes, apetecia-me um mundo sem partidos. Que sentido faz nós gostarmos das ideias de alguém, muito frequentemente até, e depois não nos revermos, dizer que não nos revemos, na sua área política? Afinal, o que é uma área política? Não seria melhor identificarmo-nos com projetos ou não? E dessa forma não estarmos subjugados por nenhuma área em particular nem nenhuma bandeira? Explicando. Podíamos, devíamos, trabalhar em prol de um bem comum e neste sentido, mantendo a individualidade, optar por compactuar e colaborar naquilo que achamos que é o bem e recusarmos aquilo que consideramos mal. Ou seja, agora podíamos estar a trabalhar com uma pessoa, num projeto, porque nos identificávamos com ele, e depois com outra, noutro, pela mesmíssima razão. No fundo, como acontece com o trabalho diário, quando temos opção, ou mesmo quando não a temos, quando temos de trabalhar com quem nos identificamos ou não a favor de uma causa comum e maior. Que sentido faz catalogarmos as pessoas por áreas políticas se isso nos faz desvalorizá-las? Tem uma ideia boa mas não a apoiamos nem queremos na nossa equipa porque veste uma camisola diferente. Por outro lado, tem uma ideia péssima, ou várias, e continuamos ao seu lado apenas porque devemos, porque é da nossa cor, porque queremos manter os privilégios. 
Ainda há pouco vi nas notícias algo que vai um bocadinho ao encontro disto, a ambição pessoal levada a um certo extremo em detrimento do bem de todos. Há autarcas que estão impossibilitados de se candidatarem novamente ao lugar que detinham. Então, ao que me pareceu, estão em nr 2 nas listas que é para depois o nr 1 renunciar e assim eles manterem o cargo. Corrijam-me se me enganei, isto de estar a ver, quer dizer, ouvir notícias na cozinha não é muito fiável no que diz respeito à minha pessoa. A ser verdade, então o nr 2 não pode estar em nr 2 e trabalhar para o projeto comum? Não terá (n)a mesma importância o seu empenho e dedicação? Partindo do princípio que quer fazer o bem, pois. Ou confirma-se que é o umbigo que interessa, os interesses pessoais, a imagem e o resto que acompanha o topo da pirâmide? Se se acredita numa ideia, num projeto, não se pode ter uma participação menos vista ou mediatizada mas igualmente válida e necessária? Até mesmo no mesmo partido tem de haver egos que se sobrepõem ao ideário? 
Não sei se uma coisa pode ser ligada à outra,  mas eu liguei-as na minha cabeça. Pessoalmente, adorava que não houvesse partidos, que houvesse apenas ideias, boas, e competência. Que melhor seria o mundo sem partidos. O que parte divide, desune, e destrói. Continuaria a haver posturas intoleráveis a nossos olhos, continuaria a haver pensamento oposto ao nosso, mas não sempre e de forma continuada. O mundo teria mais nuances, menos jogos e mais cooperação. Haveria, digo eu e não há provas em contrário, mais construção. 

agosto 23, 2013

Esquerda e direita e aquilo que não é e deveria ser


Há coisas que me irritam na esquerda. O discurso cassete, a eterna crítica, um certo elitismo intelectualóide e cultural, o não saber relaxar, o pensar que todos os desfavorecidos são naturalmente bons e merecedores, a dualidade em relação a ditaduras, a ausência de autocrítica, uma certa divinização do trabalho. Permanentemente em guerra, uma canseira que é incomportável, para mim, a tempo inteiro. 

Há coisas que igualmente me irritam - e detesto - na direita. O snobismo, a indiferença social, os tiques de quem sempre tudo teve, a frieza superior e sobranceira, o preconceito étnico e religioso, o liberalismo económico levado ao extremo, a dualidade em relação a ditaduras, uma insensibilidade que brota de uma existência ao abrigo de dificuldades. Permanentemente sob privilégios e uma certa rigidez face à necessidade de melhorar e mudar o que é preciso.

O que resta então? O centro? Não me parece, a ver pelas jogadas de poder e os interesses que não são nacionais que o centrão tem sempre demonstrado neste nosso país. O que me resta, então? Apesar de nunca ter votado à direita, e não me pareça que o vá fazer algum dia, a verdade é que estou a ficar cada vez mais apartidária. Penso que nunca seria, de resto, capaz de pertencer e militar num partido, sou demasiado independente para isso. Tolher as minhas opiniões e posturas por causa de decisões conjuntas em nome de uma pretensa ideologia não faz o meu género. A ideologia é uma dimensão interessante mas está minada por questões que a defraudam constantemente. E não concebo ideologia sem humanismo, sem alma e sem prazer. 

Também considero que há pessoas de real valor em todos os quadrantes. E que as temos de valorizar, independentemente do  lado em que estão. Se forem humanistas, construtivas,  anti-preconceito, dignas, competentes e positivas, pouco importa em quem votam. Há valores que são, ou dizem ser, tradicionalmente de esquerda e que são essenciais. E outros, que dizem estar historicamente ligados à direita, que também o são. Daí que o que importa é construir e seguir, respeitando o outro, a diferença e sendo sensível às dificuldades, evitando-as ou lutando contra elas.

Os líderes, da esquerda e da direita, também desempenham um papel importante. Há quem nos inspire e há quem nos desiluda e defraude. Há personagens inenarráveis, tanto à esquerda como à direita, tanto nacional como internacionalmente. Há inclusivamente indivíduos que usam a política e o poder que detêm para escoar as suas paranóias pessoais e os seus traumas interiores. Há mentira, há abuso, há exploração, há demência.  Há perigo, portanto.

À esquerda ou à direita, as coisas que me irritam não deviam ser ou estar. Elas afastam-me, sobretudo na área onde me tenho movimentado desde que voto e mesmo desde que desenvolvi a minha perceção do mundo e da política como meio de o (poder) transformar. Será provavelmente isto fruto da sociedade atual onde vivemos, onde os valores e consciência parecem desvanecer-se, onde a vaidade, os egos e o embuste se pavoneiam, onde a vidinha de cada um se sobrepõe a tudo, onde, no fundo, a mediocridade impera. 

Vou continuar a votar. À espera de um milagre qualquer, ainda e sempre. Há surpresas, apesar de tudo, no meio das desilusões. Lutando quando se quer, como se sabe e pode, e relaxando quando se quer, como se sabe e pode. Importa é que os dias possam ser melhores, tanto quanto os outros nos deixem e tanto quanto nós próprios os possamos tornar.

agosto 14, 2013

Atentados sem valor



atentados, ofensas, afrontas, dá no mesmo.

primeiro atentado - chamar Mandela ao cão que desfez a cabeça da bebé, ainda que as circunstâncias, ao que parece, não estejam completamente clarificadas, é de uma idiotice sem fim. equiparar o seu percurso ao do símbolo da liberdade sul-africano é um atentado. à dor da família que perdeu a criança e à prioridade da defesa da vida humana. as crianças, então, estão primeiro. como pode alguém esquecer-se disso? só falta agora nomearem o animal para o nobel da paz. assim vamos, com preocupações deste tipo, passando-se ao lado do que é essencial. sim, porque aqui o resto é acessório e uma mediatização que nem sequer interessa. a inversão de valores que vamos assistindo atualmente é algo que me custa a perceber.

segundo atentado - o PM ter dito, já algum tempo mas estava agendado e aqui vem,  que "a crise tem sido mais forte porque as pessoas gastaram menos do que previmos" é uma observação, numa palavra, idiota. ou parva, se preferirem. não votei em quem nos governa mas tenho sido paciente em muitos domínios, não me ofendi com o piegas nem com outras coisas mais, embora esteja tudo a chegar a um ponto que não pensei ser possível. esta tirada é um atentado à dignidade. de quem trabalha e de quem perdeu o emprego, de quem viu a sua vida andar para trás, e mesmo da maioria de nós. ó caro PM, dê-me o(s) meu(s) subsídio(s) de férias, reponha os valores dos cortes a que me tem sujeitado sistematicamente, descongele-me que já gelo desde 2004, e aposto que não estaria em casa a escrever estas linhas nesta altura. outros valores cantariam, já que estes - e de vária ordem - vão de mal a pior.

julho 26, 2013

A quem interessar


Não me interessa o que se disse e bem, ainda que de várias maneiras, do desfecho da salvação nacional encetada pelo PR. Não me interessa se o que digo aqui está mal. Na verdade, a minha opinião nada interessa no meio das de quem se interessa verdadeiramente por política e pela atualidade nacional e que temos todo o interesse em ouvir ou seguir. Vamos ao que interessa, podendo ser interessante ou não. Para mim, quem venceu esta maratona de desencontros foi o PM, Passos. Quem perdeu em toda a linha foi Seguro. Quem também perdeu redondamente, porque uma péssima ideia não podia vencer, foi o PR. Quem se conseguiu safar e esteve quase a perder foi Portas. Em que ficamos, após estas derrotas e vitórias? Passos não sucumbiu, é firme e teve sorte porque o PS não foi na conversa. Ou o governo não foi na conversa de Seguro. Este estava preso por ter cão e por não ter. Se se juntava ao governo para salvar Portugal enterrava-se a ele dentro do PS, de alguns setores, e da esquerda toda, que não lhe perdoaria nunca. Não quer dizer que o tenham, ainda assim, perdoado. Afinal ponderou mais juntar-se à direita do que à esquerda. Seguro volta para a sua posição de oposição insegura, que só colhe algumas vantagens porque a desgovernação, under pressure porque under troika, nos vai asfixiando, demérito do adversário, pois. Portas canta vitória, certamente, depois de ter estado mal e muito mal. Mal quando choveram críticas pela saída impulsiva e calculada, onde estará a verdade, e pior quando Cavaco quase o chutou. Chega a vice, tal como era a ideia no princípio. Cavaco, então, mostrou-se um perdedor em todas as frentes, sem qualquer visão do que poderia acontecer, somando ingenuidades pacóvias que a nada conduzem. Um comentador político do PSD dizia que a não haver acordo os partidos sairiam fragilizados e não inspirariam mais confiança. Achava ele que o PR estava a fazer bem. Na verdade, os partidos neste momento inspiram pouca confiança mas ela, a ausência, já vem de trás, e de que maneira. Chegar a acordo assentes numa ideia algo ridícula, que apenas fez perder tempo o país, é que não os favoreceria, ainda que o interesse nacional devesse estar acima dos interesses partidários. Mas há mais partidos e não se interessaram por eles. Posto isto, o PR não esteve bem. A ideia poderia até ter alguma lógica bem intencionada, a estar-se no céu, mas é ingenuamente inconcebível na realidade infernal do burgo. E até discriminatória. Em que ficamos? Bom, na mesma, se pensarmos no arco governativo e, temo, na (des)ordem das nossas coisas. Mudam-se as caras, algumas, é certo, mudar-se-ão as vontades? Revelar-se-ão, os novos e de pasta nova, interessantes ou interesseiros? Isto é o que interessa saber. Sairá este país do atrofio? E quando? As reviravoltas, qual o efeito para a nossa vida de todos os dias? Ainda que isto, a política, esta política, seja do mais desinteressante que há, não podemos dizer que não interessa nada. Na verdade, estamos interessados, em ver, em saber. Porque é do nosso maior interesse que isto tudo se componha, que não se afunde de vez. Por isso mesmo, interessemo-nos.