abril 16, 2014

Onde não pertencemos





"Muitos dos nossos problemas nascem de nos termos deixado arrastar, talvez por complacência para connosco e para com os outros, para espaços que não são os nossos e frequentar pessoas que não nos convêm. Elas, as pessoas que não nos convêm, sempre que tiverem oportunidade não deixarão de assinalar a nossa inconveniência."
Jorge Carreira Maia (Kyrie Eleison)

A verdade é esta: continuamos a fazer coisas - frequentar espaços e pessoas que não nos convêm - porque somos demasiados complacentes, porque não sabemos ou não queremos dizer não, porque queremos agradar a quem nos é próximo, em determinada altura ou circunstância, porque não queremos defraudar as expetativas dos outros, porque nos pomos em dúvida a nós próprios, porque pensamos que fazer igual pode ser melhor, mesmo antecipando que não seja nem é, porque estamos presos por algum tipo de sentimento, porque temos à nossa volta pessoas fracas que manipulam as superiores, porque queremos dar uma ou mais uma oportunidade, porque o ´porque não´ nos ocorre, porque somos ou nos tornamos indulgentes ao ponto de abusarem de nós, porque não sabemos estar sozinhos, porque receamos o confronto com a nossa verdade, porque receamos ser diferentes, porque fazemos más escolhas, porque a vida é mesmo assim, porque não devia ser mas vai sendo. Até ao momento da epifania - não nos convêm. E das duas uma: ou sempre o soubemos e fomos bondosos e parvos ou nunca o percebemos por ilusão, ingenuidade e insegurança. Por isso a maturidade é essencial - os fretes, espaciais ou sociais, até familiares, ou na verdade os problemas, passam a ser muito menos. Ou, se corajosos formos, podem deixar pura e simplesmente de existir.

6 comentários:

  1. Ensaio sobre a selectividade.
    Gostei.
    :)

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    1. Ou sobre o arrastar que não nos convém. :)

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  2. Mais do que comentar o seu post, venho deixar-lhe um beijinho de boa Páscoa, Faty! :)

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    1. Obrigada, Isabelinha, beijinhos e uma doce Páscoa *

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  3. Texto muito verdadeiro!
    Feliz Páscoa!

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    1. Obrigada, Rosa, para si, também, uma doce Páscoa. :)

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