junho 05, 2013

Brincadeirinha(s)



"“Este tipo de atitude é tomar como refém os nossos alunos. É algo com que não se deve brincar”. (Nuno Crato)

Este argumento não tem pés nem cabeça. Este argumento, dito por quem quer que seja, é uma falácia. Este argumento é para quem pretende somente desvirtuar os direitos de quem pode e deve reivindicar. A greve é para fazer mossa, quanto mais doer, melhor. Já sabemos que em qualquer ação deste tipo há pessoas sem culpas que levam por tabela. Doentes (e aqui é onde me custa mais, confesso), utentes de vários tipos, cidadãos, idosos, alunos. Danos colaterais, é um facto. E, no entanto, uma greve não atinge nenhum objetivo se não os houver. Ela serve para mostrar que certos (todos?) profissionais são indispensáveis em certas (todas?) áreas e que, portanto, são essenciais para o bom funcionamento disto tudo que nos envolve. É ótimo que se sinta a ausência desses profissionais, é ótimo que as coisas parem. O que se pretende? Que se faça greve ao domingo, para não prejudicar ninguém e não provocar transtorno algum? Ou durante a noite, já que a maioria estaria a dormir? Por muito que nos custe a todos nós sermos vítimas passageiras de uma greve em determinado setor, a verdade é que sem causar contrariedades não se vai lá.
Fiz várias vezes greve e outras não, por razões diferentes e minhas, mas nunca sou contra. Trata-se de um direito e, compreendendo que vai contra os direitos de outros num determinado dia, não há outra forma igualmente forte de se fazer sentir a revolta ou urgência relativamente a medidas que também vão contra certos direitos. E sempre repudiei as reportagens feitas nos dias de greve que vão exatamente buscar a perspetiva dos lesados, esquecendo o enfoque nos que estão a fazer greve e nas suas causas. Reféns podemos ser todos nós, já agora, e não apenas num só dia. E vontade de brincar é aquilo que menos temos atualmente. Que argumento. Argumento para ficar bem junto dos modernos papás e dos seus modernos direitos de se meterem no ensino por tudo e por nada. Também sou moderna e mamã e se houver greve a um exame do meu rebento pois que haja. Entenderei. Pois o que não entendo é esta tentativa de demonizar quem à greve direito tem. E no dia que estorve e contrarie mais, pois só assim poderão conseguir alguma vantagem. Ou estar-se-á a confundir a greve com algum tipo de ação benemérita? Só podem estar a brincar.


10 comentários:

  1. A canalha sem pudor
    ultrapassou todos os limites

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  2. Concordo plenamente contigo! Estão mesmo de palhaçada e a manipular a opinião pública.

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    1. Totalmente. Até há professores que estão contra por causa dos filhos nos exames, esquecendo por completo o coletivo, presente e futuro, em que estão mergulhados. Vende bem, esta ideia, a do trauma para os alunos. Quem não souber desmontá-la... vai estar de acordo. Manipulação, sim.

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  3. Quem brinca com os Professores é que está a brincar com os alunos.
    Abraço

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    1. Melhor "traduzido" é impossível.
      Outro.

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  4. Muito bem dito e muito bem escrito... e "que se lixe o Crato".

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    1. Seria para rir não fosse o caso tão sério.

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  5. É só demagogia! Claramente, quem está a brincar com os professores é o ministro e não o contrário. Não me admira nada haver professores contra a greve. A classe nunca foi unida...
    A luta continua! Marla

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    1. Não é, mesmo. Eu respeito quem não faz, é um direito individual, agora ser contra baseado no argumento dado, que os alunos são reféns, "escudos humanos" até, é incompreensível. Manipulação da opinião pública e dos pais, pura e dura. Reféns temos sido nós, de um festival de políticas que lançaram o ensino no caos.

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