julho 27, 2011

De Bronze

Tal como prometido, aqui fica uma lista de morenos absolutamente marcantes para mim. Faltam outros, certamente, mas estes por alguma razão transmitiram ou transmitem algo mais em determinada altura ou circunstância. O cinema é, mais uma vez, grande fonte inspiradora porque fazedora de mitos. E aqui,  charme e sedução aliados ao talento são chaves para a posteridade...

Marlon Brando
Até lhe fiz um pequeno poema na adolescência. Gigante e completamente imprevisível dentro e fora da tela, os filmes dos anos 50 fizeram dele um ícone. "Há Lodo no Cais", cujas falas sei de cor e tantos outros. Magnético e invulgar, gostou sempre de mulheres exóticas. Fantástico ainda em "O Padrinho" e "Apocalypse Now", já depois da juventude.

Art Malik
Britânico, com um impecável inglês, de origem paquistanesa, os papéis oscilam entre o charme exótico  e o fatal terrorista. Marcante em "A Jóia da Coroa", pérola da televisão nos anos 80. Geralmente ator secundário no cinema, foi de fato na TV que alcançou alguns papéis de protagonista. Lembram-se de "Harém"?

Eros Ramazzotti
É tudo - a envolvente música, a emotiva língua italiana, o rosto belo ao estilo Roma, a paixão. Mesmo com cabelos brancos, continua a seduzir pelo avassalador romantismo associado à sua persona. Experimente ouvir "Silver e Missie", e tantas outras...

Andy Garcia
Não esqueço a eletrizante personagem em "O Padrinho III". Foi nessa altura que o descobri, a energia mas também a ternura que acaba por passar nos seus filmes. Muito latino no look e nas emoções, é um fantástico actor - tanto em filmes de ação como em dramas românticos.

Eduardo Moscovis
Não me levando propriamente a suspirar, considero-o um galã com interpretações ora sedutoras ora divertidas. Há que honrar o Brasil nesta lista, já que possui uma panóplia de galãs considerável de geração para geração.

José Mourinho
Longe vão os tempos em que gostava de futebol. Mas admiro-lhe a atitude vencedora e "especial" num país amorfo e submisso que gosta de pensar que é humilde. A sorte protege os audazes, gosto de pensar. E, claro, é um homem muito bonito.

Tony Leung
Como eu gostei de "O Amante". Que filme intenso, pelas cores, pela história, por um certo erotismo. Fiquei fã deste actor chinês. Também destaco a longa-metragem urbana  "O Expresso de Chungking". Está mais velho, mas é um galã oriental.

Daniel Day-Lewis
Sobretudo por "Em Nome do Pai" que me fez sair do cinema arrebatada, na altura. Eletrizante e tocante interpretação. E depois como o romântico asteta Newland Archer em "A Idade da Inocência", um dos meus de eleição. E tantos outros.

Clive Owen
É frequente ver escrito Clive rules! nas páginas de fãs. Mas é, de facto, o rei. Pura sedução. Só a voz "estremece" e a beleza é reconhecidamente apanágio deste também talentoso actor britânico. Gostei muito do fucking caveman em "Closer - Perto Demais", do vibrante médico em "Amor sem Fronteiras" e de praticamente todos os papéis que faz. Ainda espero por um grande papel romântico ao estilo dos Oscars.

Nesta incursão pelos cabelos castanhos, agradou-me também o fato de viajar pela geografia do mundo, percorrendo quase todos os continentes.

Mas falta ainda outra lista...que ficará para a próxima.  Em tempo de férias, divirtamo-nos com leituras mais leves e quiçá façamos o mesmo. Que tal contribuir com a sua lista de morenos nos comentários? Fico à espera...

julho 20, 2011

De Ouro

Esperando por uma consulta, entretive-me a ler revistas de jornais. Deparei-me com uma, já de alguns meses atrás, que tinha como tema o Dourado. Entre outras coisas tinha um apontamento sobre homens louros que marcaram gerações, a nível artístico, futebolístico e até político. Achei a ideia engraçada e concordei que alguns deles são ou foram realmente marcantes. Inspirada por tal ideia fica aqui a minha lista.

1- James Dean

Cresci a ver cinema clássico na RTP. Os seus 3 filmes foram emblemáticos, pela rebeldia, beleza e vulnerabilidade. Fotogénico, as suas fotos fazem parte da galeria dos ícones.

2- Robert Redford



O que eu suspirei por ele em Flor à Beira do Pantano, com a Natalie Wood. E mesmo já depois da juventude ainda gostei de o ver em África Minha e Havana. Um expoente de romantismo.

3 - Steve McQueen
 


Fantástico actor de ação mas com inesquecíveis momentos de paixão. Bullit, Amar um Desconhecido, A Grande Evasão, Papillon, a lista de grandes filmes é longa.

4 - Rutger Hauer


Gosto deste holandês, enigmático, muitas vezes com papéis difíceis e estranhos e que adorei ver na fantasia romântica LadyHawke. Também bom em Blade Runner.

4 - Simon LeBon


O meu ídolo da primeira adolescência. Sim, tive o quarto cheio de posters dele e da sua banda, Duran Duran. Era um pop dos anos 80, criticado por muitos, mas adorado pelas fãs femininas. Não fugi à regra.

5 - Sean Bean


Não é um actor por aí além conhecido, mas eu gosto do cinema britânico e dos seus atores. Esteve tão bem na série da BBC, O Amante de Lady Chatterley. E depois em The Field, numa personagem sofredora.

6 - James Spader


Eu gostei de Sexo, Mentiras e Vídeo. E gostei de Loucos de Paixão. E de outros. Sensível, belo, doce e ao mesmo tempo assertivo.

7- Justin Timberlake


Não é que goste de todas as músicas, longe disso. Longe. Mas é tão eletrizante, tão magnético e sexy. Pronto, é isso.

8 - Jude Law


Muito interessante, muito bonito, excelente para filmes europeus - leia-se britânicos -  pela elegância e recorte ao estilo de "angry young men", ou seja bastante literário.


O mais certo é ter esquecido alguns mais. E ah, claro. Prometo fazer uma coisa idêntica para os morenos...

julho 16, 2011

em desACORDO

Custou-me imensooooo retirar o C do título do blogue. Custou horrores, pronto.

julho 12, 2011

O bilionário

É extraordinário o poder do (bom) cinema. As viagens que permite, o conhecimento que se tira, as reflexões que inspira. Ainda ontem pude fazer tudo isto ao mesmo tempo. quando finalmente vi Slumdog Millionaire. Não sendo um filme propriamente arrebatador ou soberbo, não deixa de ser extraordinariamente marcante, pela narrativa em inocente flashback, pelos cenários de miséria humana e física, e mesmo pela banda sonora, à la Bollywood. Mas aquilo que me leva a escrever são de facto as lições, ou seja, as conclusões que invariavelmente se tirarão da sua história invulgar, se bem que nem sempre imprevisível.
A primeira é a noção de conhecimento. O que é o conhecimento? Quem o detem? Será ele apanágio de alguns? É dado pelos livros e pela educação? Ou pode alguém sem instrução deter o saber pela sua incrível história de vida? Se a isso, ainda por cima, aliar memórias de dor ou de uma dura existência que soube ultrapassar? A forma como Jamal consegue responder às perguntas do concurso mais popular de sempre é fruto de um percurso de vida feito de encruzilhadas e desencontros, de experiências marcadas pela violência e pelo desafecto, e nunca de uma salutar aprendizagem própria de uma criança feliz e enquadrada familiar e socialmente.  Daí que ninguém acredite na sua inusitada sabedoria. O puto dos bairros de lata a catalizar os sonhos de uma Índia miserável - fantástica alegoria. E fantástica redenção.
Mas outra grande conclusão é que, apesar de tudo, Jamal foi e é realmente saudável na sua alma e carácter e que essa bondade e generosidade que dá à vida e aos outros vão ser recompensadas mais tarde. Exactamente o contrário da personalidade e fim do seu irmão, Salim. Apesar dos ocasionais laivos de consciência deste, particularmente em relação aos desesperos de Jamal, a verdade é que escolheu desde sempre uma vida errante, feita de jogadas, de esquemas falhados, de violência, de morte. Aquilo que deu, colheu - perfeitamente sintomática a cena em que é assassinado na banheira estando coberto não de água (a transparência, a limpidez) mas de notas (a ambição, o falso poder). De qualquer forma, ele terá aberto o caminho para a felicidade do irmão - eliminando os algozes e "libertando" Latika. Terão os maus também coração? Ou a sua maldade foi apenas resultado da miséria e da sua desesperada incapacidade de fazer as escolhas certas?
Outro aspecto inerente à estranha beleza do filme é a recorrente dimensão da perda da inocência num mundo que não contempla o crescimento harmonioso de crianças e adolescentes. A inocência dificilmente consegue prevalecer quando se trava uma luta árdua e desigual pela sobrevivência. E como sempre acontece, há momentos de choque nesse processo. Queremos mudar as coisas, desejamos que não fossem assim, pensa-se nos nossos filhos e, por contraste, no dilacerante desabrigo daqueles miúdos. Mas ao mesmo tempo, também, prova-se que a doçura e pureza da alma se podem conservar - Jamal consegue-o e é tocante que o faça no meio de tanta dificuldade.
Há ainda a questão da inveja que o sucesso de alguém simples desperta. O vaidoso apresentador de televisão pretende continuar a ser a estrela do mesmo. Aparecer um miúdo de 18 anos que lhe rouba o protagonismo não é tolerável, por isso fornece-lhe a resposta errada, ficando surpreendido quando ela é, inteligentemente, preterida. Todo o concurso opõe a vaidade e o estrelato construído pelos media à  verdade e autenticidade do concorrente. A última pergunta é de uma facilidade evidente e Jamal, o rafeiro, como chega a ser chamado, não sabe. Porthos, Athos mas... Aramis? Mas na sua clara inocência aventura-se seguramente pela resposta certa. Confiança e sorte fazem dele um vencedor natural, porque a sua simplicidade triunfa sobre a desconfiança.
Finalmente, talvez mesmo o amor. Mais uma vez, aparece aqui como motivação para algo mais, como uma espantosa forma de elevação do indivíduo. Por Latika e pelo desejo de a rever e de amá-la, o rapaz do chá inscreve-se no concurso. E ganha. E com ele, o dinheiro que nunca divinizou, e a miúda agora mulher dos seus atribulados tempos de infância nas ruas e bairros de uma Bombaim/Mumbai de que se soube libertar.

julho 08, 2011

(Pro)Fundo


Não vou falar da Moody´s nem da crise nem das portagens nem do casamento monegasco nem de nenhum outro acontecimento mais ou menos actual. Disso toda a gente estará a falar nestes dias e também sobre isso a escrever.
De que falarei hoje, então? Das crises, é certo. Mas das existenciais, daquelas que nos dilaceram a alma e que nos desorientam durante um tempo, daquelas que não gostamos de viver nem de assumir, muitas vezes, e que não nos deixam viver, também, dificultando ainda mais as coisas.
Explica-se. Há uma recusa, essencialmente por parte dos outros, em que se atravessem momentos destes. Há quase uma social obrigatoriedade de estarmos sempre felizes, sempre satisfeitos, sempre preenchidos, sempre activos, sempre aptos. E, no entanto, não estamos. E nem podíamos estar. As crises são essenciais para a renovação do indivíduo. Leiam-se os textos de Isabel Leal e de Alberoni (quantas vezes o cito aqui e quantas vezes me inspira a escrever) e veja-se a perspectiva sábia de quem sabe.
Por muito que soframos, porque elas doem, verdadeiramente, por muito que não seja agradável de assistir, sobretudo para quem está (mais) perto, elas são cruciais para se dar o renascimento. As palavras que as descrevem são duras - depressão, crise nervosa, e remetem para áreas difíceis de digerir como a psiquiatria, em última instância. Mas curiosamente elas são naturais e desta forma deveriam ser encaradas, ao invés do estigma da patologia que as acompanha.
Let´s put it on the line: não é melhor que nos reconfortem com um inteligente vai passar, é só preciso tempo do que um atrofiado não podes sentir-te assim? Não é melhor que nos digam é compreensível, toda a gente passa por isso do que és doente e és tu o culpado? Porque não se tranquilizam as pessoas umas às outras? Porque as assustam e insistem em fazer senti-las fora do normal? Que tipo de superioridade querem mostrar? Força e domínio? Auto-controlo? Saúde mental absolutamente relativa?
Uma pessoa que viveu uma crise, ou mais, porque elas são periódicas (sim, vá, tranquilizemo-nos), é uma pessoa mais forte. Sim. É uma pessoa mais preparada, mais experiente, mais profunda. Porque dela(s) deverá ter apre(e)ndido um grande número de coisas. Experimente conversar com alguém a quem tudo sempre correu bem, que nunca se afundou em melancolia ou desilusão. Encontrará frescura, decerto. Mas encontrará conhecimento? Combatividade? Resistência? Colherá ensinamentos? Provavelmente, não.
Por isso, e por muito que nos custe estar na mó de baixo, até porque o tempo parece infinito e não vemos saída aparente, a verdade é que sairemos, e vencedores sairemos. Porque confrontámo-nos connosco próprios, fomos ao fundo de nós mesmos, renascemos e continuamos em frente.

julho 04, 2011

Ignorâncias


1- Não ler Saramago
2- Não ouvir música clássica
3- Não saber nada de economia
4- Não estar a par do acordo ortográfico excepto nas consoantes mudas
5- Não ter ido a Nova Iorque
6- Não saber o nome de muitas doenças ou órgãos ou ... afins
7- Não ver nunca o CSI nem o Dr House nem nenhumas séries parecidas e americanas
8- Não gostar de coisas tipo Harry Potter e O Código DaVinci
9- Não saber o nome das músicas actuais (nem de quem as canta, 90% das vezes)
10- Não gostar de nem conhecer a(s)  lei(s)
Isto está, claramente, ... mau.