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março 02, 2013

Além do Tejo


Roubado a uma amiga facebookiana. O Alentejo onde não nasci mas onde tenho raízes e onde gosto de voltar, sempre, todos os anos, e cada vez mais. É a perspetiva de quem é estrangeiro e de como pode usufruir da região, num vídeo promocional bem conseguido. E eu cá gosto porque me tranquiliza, porque adoro a terra, porque me faz bem aquela paisagem, porque desligo de ritmos que não me apetecem ter sempre, porque me delicio com a simplicidade dos dias por lá e porque queria passar lá mais tempo. Oásis de tranquilidade, tão perto, tão nosso. Ou de todos. De todos os que queiram lá estar. Ah... e concordo. Pode ser-se feliz em Portugal. Ou devíamos poder.

maio 13, 2012

Planeta

Tenho um nadinha de exploradora, que se encontra em standby, desde há algum tempo. Mas muito do que sou ou gostaria de ser passa ou passaria, também, por aqui.

fevereiro 02, 2012

Volta ao mundo em 17 países



Não é que dá vontade de agarrar o passaporte?
Não é que estas e outras viagens nos levam a infinitos de descoberta?
Não é que o melhor destas e doutras voltas é  fazer amar o mundo?

E não é que Portugal aparece?

novembro 18, 2011

Aprovado


No outro dia conheci um jovem marroquino numa festa. Muito jovem mesmo, culto, bem vestido, estilo citadino moderno, encontra-se a fazer mestrado na universidade da cidade.
Disse que Gadaffi sempre foi um grande louco, que Bashar Al-Assad é o grande assassino e que a Arábia Saudita, onde já viveu algum tempo, é uma grande ditadura. As mulheres não podem conduzir, dizia indignado. E os EUA apoiam este tipo de regime. E acrescentava depois que o Irão apoia clara e vergonhosamente a Síria e que esta tem passado incólume a uma intervenção estrangeira, ocidental, devido precisamente a isso. Estas e outras ideias indicavam claramente a independência de espírito que tanto aprecio. E da política saltámos para os costumes.
O que me ri, pois. Contava ele que os seus pais, ambos professores, tinham casado em apenas três horas. Que não deram a mínima importância à tradição árabe, a do casamento durar vários dias. Entre gargalhadas, lá foi contando que toda a gente se espantou com (e criticou) tal opção. Família, comunidade local, Marrocos inteiro até. Ridículo, concordávamos. Porque também não sou destas festas, não tenho pachorra e é um desperdício de dinheiro. De quem não o tem inclusivamente. Nesta altura, um paquistanês anuía. Gastam tudo o que têm para impressionar os outros, disse, como se aquele dia fosse o último, o culminar de um percurso que termina ali. Ridiculous, again.
E lá recordei, em total sintonia de ideias, um casamento a que assisti na Tunísia. Quatro dias, melhor, quatro noites de festança. E era da parte do noivo, pois ao que parece na casa e no caso da noiva chega a ser uma semana. Cada luar trazia uma cerimónia diferente, um ritual diverso, um apontamento novo. Convidados que nunca mais acabam, porque vem toda a vizinhança, para além da família, e até podem juntar-se transeuntes ou conterrâneos. Costumes muito diferentes dos dos casamentos aqui. Não passa nada pela mesquita, ou pela religião, por exemplo, o que à partida pode surpreender. Ou não. Nem pela gastronomia, de todo. Muita música e dança, sobretudo. Aos primeiros acordes, toda a gente se levanta. Mulheres e homens dançam separadamente, mas com muita alegria. Deveras interessante do ponto de vista intercultural, antropológico, mas uma maratona de cansaço para a família e para o noivo e poupanças que se vão, especialmente com a despesa da última noite, que é a mais apoteótica. E para quem não tem paciência para casórios e dançarias, como eu, há infinitamente melhores programas.
O que tenho eu a ver com o que se gasta? Nada, claro. Mas não pude deixar de pensar que o que vem depois é bem mais importante. Como diziam os meus convivas, em vez de investirem na casa ou até numa pequena viagem dão uma mega festarola para inglês ver. Perdão, árabe. Ou até português, como foi o caso. Mas não se veja aqui qualquer tipo de crítica de cariz étnicocultural, isso não. Não me identifico com este tipo de mentalidade, venha ela donde vier. A ostentação irrita-me um bom bocado. O orgulho, o brio, a originalidade, não, são positivos, mas o show off sem base de sustentação, nomeadamente financeira, não o compreendo. Prioridades das quais não comungo. Ainda por cima se ditas pela tradição. Cruzes.
Mas, cá ou lá, nem todos são iguais. Ainda há quem não dê maiores passos que as pernas. Quem distinga o essencial, quem pense fora de esquemas de pensamento organizados, quem não ligue a tradições, quem decida por si próprio, quem não se endivide tolamente, quem saiba impressionar-se apenas a si mesmo. Omar, estás, evidentemente, aprovado.

setembro 09, 2011

A Sul

O verão que agora termina confirmou a minha predileção pelo sul. O sol,  o apetecível calor, claro, e depois o branco, aquele imaculado branco das casas, o azul do céu que teima em persistir, a calma das ruas e a calma do mar, as praias de água também ela calma, as flores nos jardins e os pinheiros mansos, a maneira aberta e hospitaleira das gentes, disto e de mais ainda, gosta-se, e muito, depois eterniza-se como exemplo de uma maravilhosa vida estival...
Ao mesmo tempo as noites a convidarem a passeios e bebidas frescas, música na rua, esplanadas cheias, pessoas animadas a conviverem, nacionais e estrangeiros em alegrias de quem está fora da rotina. O ceú estrelado,o luar claro e límpido, o não apetecer voltar para casa. Soltamo-nos, não temos horários, absorvemos os locais, os ambientes, mergulhamos facil e placidamente numa existência de doces hábitos. A sul, encontramos o calor e a luz que a alma procura.
Regressando ao norte, sente-se  e vê-se a temperatura drasticamente a descer, a cor das casas a escurecer, a tranquilidade a esvanecer-se, a vida de cidade e as suas exigências a tolher os nossos, meus, devaneios veraneantes de relaxamento. Deixa-se para trás um espaço e um estilo de vida que nos dá tão somente prazer. Voltar cá acima. Como custa sair do sonho de uma, não, de muitas noites de verão.

junho 05, 2011

Um pouco de(o) Brasil

                                

Tenho reparado, com muito agrado, que há visitas do Brasil a este blogue. Por isso achei bem deixar aqui algumas impressões sobre a minha própria visita a esse país de língua irmã. Este texto é então, e sobretudo, para "você".
Começo por dizer que me emocionei várias vezes (talvez por coincidir com a sensibilidade por uma incipiente gravidez, que não  veio a ter sucesso, de resto). Nem sei bem porquê - ou saberei? -  mas realmente senti vontade de chorar em vários momentos, por pura emoção. Pela natureza e paisagens que observava - as bananeiras, a cana de açúcar, os coqueiros, os mangais, as cachoeiras, pelas pessoas - simples, na sua maior parte, pois visitei o estado de Pernambuco, algumas de rosto sofrido, disponíveis, até quase servis e inocentes algumas também, pela terra e a sua incrível variedade - numa mistura de verde, praia, beleza, pobreza, pessoas a pé por caminhos longos e desabitados, casas com grades e do tamanho de uma cozinha, mas também belos palacetes à beira-mar e hotéis maravilhosos, brancos, negros, mulatos, matinais sucos de frutas, pequenos mas aventureiros safaris,  peixe grelhado ao ar livre e gambas consumidas nas cadeiras da praia, enfim, um mosaico geográfico físico e humano verdeiramente emocionante, contrastante e intenso. Ao mesmo tempo descontraído, a convidar ao relaxamento e à autenticidade. Só na cidade de Recife tive um "glimpse", um vislumbre europeu, do qual estou, às vezes, farta. O chic do hotel a lembrar-me a etiqueta social, que muitas vezes não me apetece. O resto - Porto de Galinhas, a maravilhosa Olinda, Primavera e outras, era, foi, uma viagem ao diferente, ao desconhecido, à história, a qualquer coisa que já deixámos ou fizémos (pouco, pensei por vezes), nós, Portugal, desde o tempo das espantosas descobertas.
Enquanto viajava relembrava, quase automaticamente, o Brasil que nos foi dado a ver através das novelas, especialmente duas - Gabriela Escrava Isaura. Eu era tão pequena mas apaixonei-me por Ilhéus, pela Malvina e tenho até um texto dedicado a essa telenovela, marcante do lado de cá. Foi a primeira e também eu não a esqueci mais. Na segunda recordo a crueldade da escravatura, heranças do colonialismo português, a revolucionária Lucélia Santos, a leitura do livro homónimo. Enquanto viajava, dizia, olhava e imagens atravessavam a minha mente e misturavam-se, criando-se e recriando-se histórias e espaços entre o ficcional e o real. Ficava em silêncio e sentia. Sentia e emocionava-me, numa experiência transatlântica, histórica e até literária. Uma mescla cultural, portanto, que despertava peculiarmente as emoções.
Não tenho autoridade nem conhecimento para falar deste país imenso, rico e contrastante. Registo aqui uma mera impressão. Não conheço a Cidade Maravilhosa, nem Brasília, São Paulo, Porto Alegre nem a região amazónica, nem Fortaleza nem fui à Baía de Amado. Não conheço, in loco, muitas maravilhas nem provavelmente problemas da realidade brasileira. Mas posso dizer que o bocadinho do país que vi me tocou profundamente. O Brasil, entre momentos fantásticos e realidades menos atractivas, com em qualquer lado, ficou cá dentro, na alma. Talvez por já lá estar desde há muito tempo...

março 26, 2011

A Jóia da Coroa II


Por ser também o nome de uma excelente série britânica dos anos 80 que vi e revi e que se me perpetuou na memória. Hari Kumar. Daphne Manners. E de como o Raj britânico não aceitou nunca a fusão amorosa das duas culturas. Na verdade, a colonização britânica na Índia foi sempre caracterizada por uma considerável distância psicológica entre colonizador e colonizado, dir-se-ia mesmo distância afectiva. Eram muito mal vistos os romances interculturais, sobretudo se era a mulher a ser a "branca". Como era aqui o caso. Daí que a violação de Daphne, não por Hari, obviamente, mas por um grupo de violentos e radicais indianos, tenha servido os propósitos daqueles que apregoavam a segregação social, de um lado e de outro. Um romance entre duas pessoas que se tinham apaixonado tornou-se uma acendalha para a resistência indiana, e um reforço dos princípios racistas e coloniais de muitos ingleses.
Mas curiosamente essa Índia colonial sempre exerceu um grande fascínio em mim. Valiosa, opulenta... Aqueles grandes palácios e aquelas paisagens exóticas, a vida serena de que os britânicos usufruiam, em contraste com a colorida e barulhenta confusão típica indiana, mas ao mesmo tempo o modo como se atraiam algumas vezes apesar das diferenças, do lifestyle, das feridas, do abismo. De tal forma que, sendo eu uma incurável geo-romântica, sempre adorei estas histórias de amor conturbadas e abrigadas por um fundo preenchido com fronteiras culturais e afins. Em "Passagem para a Índia" (maravilhosos filme e livro no curriculum) também há quase uma história dessas a acontecer. Mas o estigma da violação persiste e, consequentemente, o da não-comunhão física e espiritual também... Como a querer dizer que tal não seria, nem foi, possível. Porque os indivíduos e os impulsos da sua alma são muitas vezes esmagados pelo todo, pelas conjuncturas políticas, sociais e históricas. E lá não se vive o amor.
A perspectiva que tenho sobre a Índia, foi então, durante muito tempo romanceada e filtrada pelo cinema e pela literatura. Com o passar do tempo, e com a tendência para o exótico chic, lá se esbateu a vontade de conhecer esta nação. Por isso achei extraordinário o programa sobre os "Portugueses Pelo Mundo" que vi há dias. A forma descontraída e adaptável como enfrentam a experiência Índia. Caos, cor, tradição, pobreza, riqueza cultural, anacronismo, espiritualidade, confusão, exotismo, miséria - uma mescla única mas que admito como difícil no terreno. Fascinante mas a exigir um estofo muito próprio, um despojamento de noções como conforto, luxo, organização, estética, qualidade e outros. Dizia há muitos anos uma conhecida minha, uma hippie de grande simplicidade e total ausência de vaidade, "Não entendi a Índia". Ela, profundamente espiritual e sem caprichos. Portanto não será para todos a capacidade de se adaptar ao estilo de vida indiano e às suas idiossincracias. Leva-me a pensar que não a teria, de todo. E, de certa forma, gostaria que assim não fosse. De não me ter ficado pela visão romântica. De não ter ficado presa às memórias dos livros e filmes que li e vi. De não conseguir lidar com a brutal ainda que autêntica sensorial realidade de um fantástico e avassalador país de contrastes. Barreiras interiores...a ultrapassar...?


janeiro 22, 2011

Hasta siempre...


A propósito de revolução...independentemente do rumo que algumas delas tomam e das nossas posições face a elas, é inegável a beleza da música cubana e a riqueza da cultura do povo cubano. Do filme- documentário, que adorei, Buena Vista Social Club.


Revolução...Ao som de uma música de excepção, este video combina, para mim, duas coisas que têm sido constantes da minha vida :o gosto pela liberdade e o gosto pela geografia. Assim como se as viagens não fossem senão vôos físicos, sensoriais, claramente, e também comportamentais, mentais, ou seja de como os dois se podem incrivelmente mesclar e completar a existência.
Porque a liberdade é também um conceito muito individual, que nós exercemos ou não, todos os dias, no nosso quotidiano. Não depende somente da organização e/ou conjectura política, social, laboral e afins. Depende da nossa vontade. Fazer escolhas, optar, opinar, dizer não, estão muitas vezes ao alcance de todos e nem por isso todos o fazem. Ou seja pode uma pessoa ser prisioneira de si própria, e dos outros que lhe são queridos, porque revoltar-se será precisamente mais dificil se não houver coragem para romper com os nossos próprios esquemas de vida. Daí que ser livre seja algo que não é fácil porque nos pode deixar sozinhos ou isolados e dar azo a conflitos, naturalmente. Portanto quão mais fácil e cómodo não nos aventurarmos em sair do rebanho e gritar a plenos plumões que não queremos.
Quanto à geografia, ela é um salto no mundo mais diverso, que nos enriquece e espanta. Ela é feita de raças e cores, terras e flores, diferenças e parecenças. O universo visto do ponto de vista das pessoas e das culturas, das práticas e das regiões. Será esta a dimensão da geografia que mais nos estimula e /ou instiga, dependendo da nossa capacidade de absorver o desconhecido e torná-lo conhecido.
Viajar por Cuba, que ainda não visitei, neste vídeo dá-me a sensação de viajar livremente para um mundo à minha escolha. Por isso fico feliz, apanhando o avião da minha alma e percorrendo uma terra que ainda é emblemática em sonhos de revolução. Ecos de hasta siempre....