
Quando li esta frase, cravou-se-me cá dentro. Andei vários dias a considerá-la, de tão verdadeira e espantosa que é (desculpe lá os elogios, Pedro). De facto, a barulheira é muita. Os palpites são demasiados, a justiça feita à pressa e sem conhecimento real e profundo, também. Opina-se acerca de tudo, por tudo e por nada, está na moda julgar, mesmo sem qualquer tipo de reflexão fundamental e que deverá preceder sempre qualquer sentença.
O texto do Pedro versava sobre uma vertente em particular, a literatura e os juízos de quem a torna boa ou má consoante critérios discutíveis e viciosos. Este pretende, a ser bem-sucedido, abordar coisas talvez mais simples como questões do dia a dia, passando pelas notícias e pela curiosidade alheia que não é saudável, para não ser, porque não quero, patológica nas palavras.
É que toda a gente é, frequentemente, demasiado opinativa. Se passa uma notícia na televisão saem logo milhares de textos sobre o assunto e de forma fraturante, drástica. Não que esteja errado tecer considerações. Mas que revelem sensatez e alguma racional maturidade e, sobretudo, que construam alguma coisa. Que abram novas perspetivas, que desbravem outras hipóteses. A maledicência pura e dura pode ter alguma graça, e terá se feita com real humor, mas que tal um bocadinho mais de silêncio? Não resignação, entenda-se. Pode a resistência ser feita através do bem, do equilíbrio? Pode. Ghandi e Luther King e Mandela fizeram-no. Venceram pela paz e não pela violência primária das palavras.
E no dia a dia, em nós e nas pessoas de quem gostamos? Porque havemos ou hão elas de sofrer com bitaites maliciosos, precipitados, ignorantes e que nunca deveriam ter visto a luz do dia? Há verdades que ficam bem acondicionadas no baú da elegância e mentiras que ficam só bem enterradas nas almas mórbidas de quem as inventa e se diverte a lançá-las. Porque não se silenciam coisas que não interessam? Que não revelam bondade nem verdade? Que nada sabem, nada acrescentam, nada constroem? Que tudo julgam, que tudo sentenciam?
Suponhamos, condenemos menos. Menos barulho, baixinho... Deixemos quem vive sossegar.









