
Hoje o jornalista da SIC que está habitualmente em Israel dava conta de um progresso económico considerável na Cisjordânia ao mesmo tempo que fazia a sua pequena reportagem natalícia a partir de Belém. Os hotéis cheios, turistas de vários pontos do globo, maioritariamente dos EUA, da América do Sul e "do Oriente" (dada a sua vastidão, não se presume bem de onde, especificamente), enfim anos de prosperidade que são de saudar em tempos austeros. Mas disse também que velhos problemas persistem - o muro está lá, bem alto, a dividir as comunidades, as religiões, as pessoas, e os colonatos judaicos avançam, ocupando território palestiniano. Ai, e logo a irritação. As boas notícias não eram, infelizmente, as únicas.
O muro, a visão daquele muro que se ergue, como o de Berlim, e a não causar tanta celeuma e contestação à escala global. Isso é que não se compreende. Não compreendo como pode escapar à alçada da opinião pública mundial, como sobrevive e cresce sem nenhum tipo de atenção especial por parte dos media. Como todos parecem calados com esta crescente ocupação, ou entretanto se calaram, baixando os braços a uma luta que é a sobrevivência de um povo. Precisamos de ver, ler, saber, ouvir, mais coisas, muito mais coisas sobre a política israelita face à margem ocidental do Jordão (já nem vou para Gaza, não me apetece, neste momento, ficar ainda mais agoniada).
E precisamos desse enfoque dado por pessoas independentes, que não estejam marcadas por fações que lhes turvam quase sempre a perceção, alinhados à esquerda ou à direita dos americanos, dos russos, dos chineses, de seja lá quem for. Sei que estou pouco informada via jornais (leio apenas um diário online e um semanário) mas pela tv portuguesa e pela blogosfera vejo muito pouco a propósito deste tema e, todavia, ele é fulcral na política internacional, abrigando consequências colaterais como atos de terror de má memória. Precisamos da verdade e que nos lembrem que há identidades e formas de vida que foram, simplesmente, aniquiladas.
E precisamos desse enfoque dado por pessoas independentes, que não estejam marcadas por fações que lhes turvam quase sempre a perceção, alinhados à esquerda ou à direita dos americanos, dos russos, dos chineses, de seja lá quem for. Sei que estou pouco informada via jornais (leio apenas um diário online e um semanário) mas pela tv portuguesa e pela blogosfera vejo muito pouco a propósito deste tema e, todavia, ele é fulcral na política internacional, abrigando consequências colaterais como atos de terror de má memória. Precisamos da verdade e que nos lembrem que há identidades e formas de vida que foram, simplesmente, aniquiladas.
Que tal falar-se menos nas receitas e nas compras de natal, na austeridade e nas agências de rating, nas coisinhas locais sem interesse - já me cansam tantas reportagens medíocres na televisão - e nos concentrássemos um pouco mais em situações de total injustiça e opressão? A maior parte das pessoas não sabe absolutamente nada do que foi a constituição do estado de Israel, a resistência árabe e a situação que ainda se vive hoje. Estão longe, é certo, mas não deixam de ser importantes, trata-se de salvaguardar a dignidade da vida humana, seja onde for. A proximidade não basta para explicar o envolvimento, ou pelo menos, a revolta.
Claro que o caminho é seguir unicamente uma via de paz, respeitando o direito dos dois povos à sua existência. Mas o muro tem de cair. Não pode haver muros maus e muros bons. Este também é feito de vergonha. Era bom que quem pode e sabe pudesse gritar isso bem alto.
Claro que o caminho é seguir unicamente uma via de paz, respeitando o direito dos dois povos à sua existência. Mas o muro tem de cair. Não pode haver muros maus e muros bons. Este também é feito de vergonha. Era bom que quem pode e sabe pudesse gritar isso bem alto.






























