
Aqui há tempos pude assistir a um interessante programa de televisão de carácter sociológico, tipo de programa que está, de resto, entre os meus preferidos no que diz respeito à informação.
Debruçava-se a análise feita no programa em questão sobre a falta de poder de decisão ou de opinião no mundo do trabalho de hoje por parte dos trabalhadores e funcionários, ou seja, de como a falta de participação afectiva ou psicológica por parte de quem executa tem tornado drasticamente as pessoas cada vez mais infelizes.
Assim é, de facto. Nas sociedades ocidentais e/ou desenvolvidas, com o acesso a bens materiais como nunca houve antes, partir-se-ia do princípio que as pessoas satisfariam os seus desejos e sonhos bem mais facilmente. Acontece que aumentam, de forma brutal e sintomática, o aumento dos comprimidos anti-depressão, num crescendo de anti-felicidade, anti-serenidade e anti-bem-estar preocupantes e galopantes. Na verdade, o que os sociólogos e psicólogos concluiram é que as frustrações do trabalho, aliadas às exigências com pouquíssimas compensações, muito têm contribuido para estes desiquilíbrios.
Dizem os entendidos que as pessoas, na sua esmagadora maior parte, estão infelizes com o modo como trabalham. Independentemente da profissão, há, de facto, e no geral, um cumprir rotineiro e estéril, sem que os que trabalham tenham hipóteses de emitir sugestões ou ideias que lhes digam directamente respeito. Ou seja, escolhem pouco, muito pouco. As coisas são-lhes apresentadas, sem que eles possam opinar, dizer o que sentem, criar, ousar, recusar, argumentar, em ultima instância, ser livres e, dessa forma, mais felizes. Diziam nesse programa os peritos que às vezes bastava opinar ou ter a hipótese de escolher uma coisa bem simples, pequena, mas que fizesse o trabalhador sentir que o que ele pensa é importante para a empresa, ou que está a ser dono de si próprio ou/e que pudesse torná-lo mais estimulado e dessa forma mais produtivo.
Penso não haver dúvidas quando se diz que pessoas motivadas produzem mais e mais eficazmente. E também absolutamente concordo em dizer-se que é um erro não se fomentar a felicidade no trabalho. Como não? Porque dizem alguns que não estamos "aqui" para ser felizes? Por acaso as pessoas são robots? Não sentem? Que ideia disparatada... A realização profissional é fundamental para o equilíbrio do indivíduo, independentemente do lugar e da prioridade que ocupa na vida de cada um. E ela passará por um sentimento de satisfação em produzir, que invariavelmente brotará da possibilidade de opinar sobre aspectos da organização laboral, sobretudo aqueles que nos dizem directamente respeito.
Desta forma, estão de parabéns aqueles que, nas chefias, tentam valorizar o lado humano de cada um, tentando ir ao encontro das necessidades e desejos dos seus trabalhadores, funcionários e afins. Em mega empresas, não será fácil mas não devem desistir. Saber que motivam as pessoas acarreta saber que irão colher melhores resultados, certamente.
Quanto a nós, os executantes, e para lá do mundo do trabalho, quanto mais felizes estivermos mais sã construiremos a sociedade e mais contagiantemente sadia se tornará a nossa passagem por aqui.




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